Recife - Quarenta e cinco mil pessoas assistiram até ontem ao megaespetáculo da ‘‘Paixão de Cristo’’, em Nova Jerusalém, no agreste pernambucano. A expectativa dos organizadores era de que o público total chegasse a 65 mil até hoje, quando termina a temporada iniciada há uma semana.
Nova Jerusalém é uma cidade-teatro construída em uma área de 100 mil metros quadrados, numa réplica de Jerusalém, onde nasceu Jesus. É cercada por uma muralha de pedras com 70 torres de sete metros de altura cada. A paisagem árida – semelhante à da Judéia –, aliada aos modernos efeitos de luz e som, dá ao espetáculo um tom de realismo que reforça a emoção de quem acompanha a via sacra do Cristo.
O teatro é considerado o maior ao ar livre do mundo. Nele 500 atores e figurantes dão vida à Paixão. Desta vez, o elenco é encabeçado pelos atores globais Maitê Proença (Maria), Flávia Alessandra (Madalena), Miguel Falabela (Herodes) e Luciano Szafir (Pilatos). Jesus é representado pelo pernambucano Marcelo Valente. Dirigida por Carlos Reis e Lúcio Lombardi, a peça tem texto de Plínio Pacheco, idealizador e construtor da cidade-teatro.
A movimentação dos atores é seguida de perto pela platéia – de aproximadamente 8 mil pessoas por noite – que percorre os arruados e se posta diante de nove diferentes palcos onde se desenrola a história. A peça, que tem duração de quase três horas, começou a ser encenada em 1951 na vila da cidade e desde 1968 é apresentada na cidade-teatro.
Somente em 1997 o elenco, até então integrado por atores locais, passou a ter a participação de nomes nacionalmente conhecidos como forma de melhor divulgar a superprodução. Artistas como Fábio Assunção, Hérson Capri, Patrícia Pilar, Diogo Vilela, Cristiane Torloni e Letícia Spiller já atuaram no espetáculo.
A grandeza da Paixão de Nova Jerusalém pode ser expressa através dos números: 860 refletores iluminam cenários e platéias; 280 caixas de som são utilizadas; 700 figurinos fazem parte do guarda-roupa; 400 profissionais trabalham nos bastidores do espetáculo e 23,7 mil refeições são servidas a atores, figurantes e equipe nos dias de espetáculo e ensaios.
Uma das inovações deste ano foi a instalação de uma feira temática na entrada da cidade-teatro. Além de barracas com comidas e bebidas, o artesanato regional pode ser apreciado e adquirido em tendas de estilo árabe com vendedores vestidos com trajes da época de Jesus.

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