Países se unem para monitorar e combater incêndio em florestas
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quarta-feira, 16 de junho de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A capital paranaense será sede da Rede Sul-Americana de Monitoramento de Incêndios Florestais. Será a 12 rede regional a se integrar à rede mundial. Entre as Américas, apenas a do Norte tem uma rede, com sede no Canadá. A proposta será apresentada e discutida, hoje, no último dia do 3º Simpósio Sul-Americano sobre Controle de Incêndios Florestais, promovido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e que reúne representantes de organizações nacionais e internacionais de controle de incêndio.
O diretor do Centro de Monitoramento Global de Incêndios (Global Fire Monitoring Center -GFMC), Johann Goldammer, disse que a rede ainda não foi formalizada, pois sua constituição depende de acordos bi e multilaterais entre os países sulamericanos. Ele lembrou, no entanto, que o Brasil, por meio de órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama) já prestam ajuda a países vizinhos, fazendo o monitoramento, via satélite.
''Há casos de colaboração mútua com relação a situações de emergência na Argentina e Chile'', exemplificou Goldammer. ''Entretanto, isso não foi colocado de forma sistemática'', complementou. O objetivo da criação da rede é justamente o de organizar as estruturas dos países da América do Sul para que possam compartilhar de treinamentos, programas de pesquisas e recursos materiais.
A expectativa, segundo Goldammer, é que a rede sul-americana interaja com as redes da América Central e do Caribe, que também estão sendo constituídas. As recomendações da reunião de fundação da rede em Curitiba serão levadas para uma conferência, que acontece em outubro, na Costa Rica.
Goldammer adiantou, ainda que, um encontro de nível ministerial, acontecerá em março de 2005 e a idéia é que as propostas da rede global de uma política unificada de prevenção e combate a incêndios florestais sejam submetidas à apreciação das Nações Unidas. ''A rede global facilita a comunicação entre as diferentes regiões'', esclareceu.
Para o professor do Departamento de Engenharia Florestal da UFPR, Antonio Batista, o fato do Paraná ter sido pioneiro nas pesquisas de incêndios florestais foi o que motivou a escolha de Curitiba para a instalação da rede. Segundo ele, a escola de Floresta da UFPR foi a primeira do Brasil e é a única que mantém no currículo o controle de incêndios.
O Paraná, lembrou Batista, não é um estado que tenha problemas sérios de incêndios florestais, até por conta das condições climáticas. Um levantamento realizado pela UFPR apontou a ocorrência de 15,5 mil incêndios, entre 1992 e 2001.


