Países se unem contra a discriminação de imigrantes
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quinta-feira, 15 de junho de 2006
Da Redação 
Brasília - Humilhações, perseguições, prisões, vexame e até torturas. Situações deste tipo estão se tornando comuns com estrangeiros na América do Norte e Europa. O quadro torna-se mais grave com imigrantes, sobretudo os ilegais. Em muitos países os direitos humanos estão sendo deixados de lado para o emprego de medidas penais drásticas.
Para o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a discriminação se potencializou após os atentados de 11 de setembro e dos ataques que aconteceram na Europa. Barreto considera uma das principais conseqüências do terrorismo o retrocesso do movimento de universalização da Justiça iniciado na década de 80.
Esses países maltratam os imigrantes, não recebem refugiados e estão criando um sentimento de xenofobia. Temos perdido a oportunidade de caminhar mais firme para um mundo mais seguro em termos jurídicos, destaca o secretário-executivo. Para se defender, cada nação está criando a sua própria legislação, considerando que pode fazer o que quiser sem levar em conta a proteção dos que chegam de outras nacionalidades.
Os países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, prometem provocar um embate, em Nova Iorque, no mês de setembro, na Conferência Internacional sobre Migrações, promovido pelas Nações Unidas. Os preparativos já começaram. Em maio foram realizadas duas reuniões para elaboração de declarações de um posicionamento unificado. A primeira foi no início do mês, em Assunção, no Paraguai, para que fosse redigido um documento regional.
A segunda reunião aconteceu em Lima, no Peru, nos dias 15 e 16. Além dos países sul-americanos, o evento reuniu representantes de nações africanas e asiáticas, que também reclamam de maus tratos, prisões arbitrárias e tratamento discriminatório nos aeroportos internacionais. O encontro resultou na união de esforços para promover um tratamento mais humanitário aos emigrantes desses países.
Em Nova Iorque, os países em desenvolvimento deverão reconhecer que todas as nações têm o direito de controlar o fluxo de imigrantes, mas que deve prevalecer o bom senso, de uma maneira mais humana e justa. No discurso, será destacado que os criminosos pertencem a redes organizadas, que devem ser combatidas com inteligência, cooperação internacional e medidas de segurança, sem ações discriminatórias.
Atualmente existem 3,5 milhões de brasileiros no exterior e residem no Brasil 830 mil estrangeiros. A diáspora brasileira aconteceu nos anos 90. Antes era o oposto.
Havia mais estrangeiros no Brasil do que brasileiros morando fora. O motivo foi a globalização e houve a busca de empregos em países de moeda forte. No geral, saíram pessoas sem qualificação profissional a procura de um bom salário.


