São Paulo, 13 (AE) - Os 134 países membros da Organizão Mundial do Comércio (OMC) estão se organizando em blocos ou em grupos para apresentar propostas comuns na 3ª reunião ministerial da organizacão e defender seus interesses na Rodada do Milênio, que deverá ser lançada em Seattle (EUA), em dezembro.
A exemplo do Grupo de Cairns, do qual fazem parte 15 países que dependem substancialmente de suas exportações agrícolas, a Apec (Associação de Cooperação Econômica ásia-Pacífico), que congrega 21 países, definem hoje um documento único para apresentá-lo na reunião da OMC, a ser realizada entre 30 de novembro e 3 de dezembro.
A estratégia de defender interesses, entretanto, não se restringe apenas ao Grupo de Cairns e à Apec. Europeus, latino-americanos, norte-americanos, centro-americanos, asíaticos e africanos - organizados em grupos ou não - devem apresentar um número tão grande de temas e incluir também uma farta quantidade de setores nas discussões de Seattle que os especilaistas acreditam que o encontro será um verdadeiro "coquetel explosivo de interesses".
O Brasil, que faz parte do Mercosul e do Grupo de Cairns
apresentou isoladamente uma agenda com três pontos que gostaria ver incluídos na pauta de discussões. Excluindo a questão agrícola, que faz parte de uma posição comum com seus parceiros no Grupo de Cairns e no Mercosul, o governo brasileiro quer uma revisão dos acordos anti-dumping, de subsídios e medidas compensatórias e de investimentos relacionados ao comércio (Trims).
Dessas três propostas, a mais polêmica parece ser a de subsídios e medidas compensatórias, justamente o tema no qual travou, no âmbito da OMC, uma das maiores brigas comerciais com o Canadá, e perdeu. Nas entrelinhas da agenda brasileira, que, segundo especialistas, não é nada clara e muito menos esclarecedora, o Brasil quer que os países em desenvolvimento possam valer-se de mecanismos de equalização de taxa de juros que permitam financiar suas exportações em condições iguais àquelas oferecidas pelos países desenvolvidos.
A Apec, formada por 21 países que reúnem cerca de 2,5 bilhões de pessoas e detém 55% do PIB mundial (cerca de US$ 17 trilhões) com intercâmbios comerciais que somam pelo menos US$ 5 2 trilhões por ano, quer, além de garantir a plena aplicação dos acordos da OMC hoje em vigor, discutir temas como investimentos, medidas anti-dumping e políticas de concorrência. Mas esse grupo poderoso pretende dar maior ênfase a questões tarifárias, principalmente em setores hoje em processo de liberalização, como veículos, aviões civis, fertilizantes, alimentos, sementes e oleaginosas e borracha.
Em alguns casos ou setores, existe confluência de interesses, já que alguns dos países da Apec, como a Austrália, Canadá, Filipinas, Indonésia, Malásia e Nova Zelândia, fazem parte do Grupo de Cairns. Mas, em outros, dificilmente haverá consenso. A União Européia, por exemplo, pretende dar prioridade à uma maior liberalização dos mercados de serviços e de telecomunicações.

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