Países ricos negligenciam a Aids
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quarta-feira, 05 de abril de 2006
Antônio Gois<br>Folhapress 
Rio - A Aids, hoje em dia, já faz parte do grupo de doenças negligenciadas pelos países ricos. Essa é a opinião de Bernard Pécoul, diretor-presidente da organização não-governamental internacional DNDi, sigla em inglês para Iniciativa de Medicamentos para Doenças Neglicenciadas.
Pécoul esteve ontem no Rio para debater com a ONG Médicos sem Fronteiras e com o presidente da Fiocruz, Paulo Buss, formas de pressionar os países ricos a investirem mais em pesquisas para combater doenças típicas de países em desenvolvimento.
Quando a Aids surgiu na década de 80, houve todo um esforço de financiamento e de regulamentação dos países ricos para incentivar pesquisas contra o vírus. Hoje, no entanto, 95% dos doentes estão em países pobres. É por isso que há pouco avanço na descoberta de novos tratamentos ou, por exemplo, na pesquisa de novas drogas voltadas para as crianças, diz Pécoul.
Uma das estratégias que a DNDi e a MSF estão adotando é o apoio da proposta brasileira e do Quênia a ser apresentada em maio na Assembléia Mundial de Saúde da Organização Mundial de Saúde. O Brasil tenta pressionar os países ricos a investirem mais em doenças negligenciadas pelos grandes laboratórios farmacêuticos por serem típicas de países pobres.
Para Buss, porém, a chance de aprovação da proposta no momento é muito pequena. É por isso que o presidente da Fiocruz defende que seja feita uma campanha intensa para sensibilizar a população dos países desenvolvidos.
A questão que está dividindo os países é sobre propriedade intelectual. Nós defendemos que os resultados dessas pesquisas não sejam subordinados aos interesses econômicos, mas nem todos os países aceitam abrir mão da propriedade intelectual, afirma o presidente da Fiocruz, que representará o Brasil na
assembléia.
Segundo Buss, os países que mais se opõe à proposta brasileira e queniana são justamente aqueles onde estão concentrados os maiores laboratórios farmacêuticos: Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Japão e Suíça.
Segundo a DNDi, 35 mil pessoas morrem todo o ano vítimas de doenças negligenciadas, como tuberculose, malária, leishmaniose, Chagas ou Aids.


