Países ricos compram estoque de vacina
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segunda-feira, 13 de julho de 2009
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra- O Instituto Butantã terá de doar 10% de sua produção de vacinas contra o vírus influenza A (H1N1) à Organização Mundial da Saúde (OMS). Ontem, a agência de Saúde da ONU alertou que a disseminação da gripe A é incontrolável e que todos os países precisarão comprar a vacina para sua população. Mas alerta: não haverá vacinas para todos e 1,8 bilhão de doses já foram adquiridas de forma antecipada por países ricos.
Ontem, a entidade anunciou recomendações para a produção de vacinas e quem deve ser os primeiros a ser vacinados. Diante do fato de que consideramos a disseminação do vírus como incontrolável, a vacina será necessária em todos os países, alertou a OMS em sua recomendação oficial. O documento foi apresentada como conclusão da reunião do Comitê de Especialistas de Vacinas da OMS, que se reuniu especialmente para tratar do assunto na semana passada.
Hoje, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, vai anunciar que não haverá maneira de produzir vacinas para os 6,8 bilhões de habitantes do planeta. Para ela, a questão das patentes voltará ao centro dos debates. Sem vacinas para todos, a OMS apresentou estratégias que poderão ser usadas pelos países.
Profissionais da área de saúde devem ser priorizados na imunização, além do pessoal do setor de infraestrutura essencial, como seguranças e funcionários de aeroportos. Eles são os mais expostos, disse Marie-Paule Kieny, diretora de vacinas da OMS. Segundo ela, a preservação da infraestrutura básica de um país é fundamental.
A vacina só ficará pronta em outubro, mas chegará ao mercado apenas em dezembro, depois de testes clínicos. Dentro da OMS, o temor é de que chegue tarde, já que a segunda onda da gripe no hemisfério norte possa começar com a chegada do inverno.
Por isso, países com recursos já estão negociando com empresas. Em contratos concluídos entre governos e multinacionais, a OMS estima que 1 bilhão de doses já estejam comprometidas.
Só a França já comprou 100 milhões de doses, enquanto outros países fizeram encomendas que representam duas vezes suas populações. Um dos temores é de que, com uma capacidade de produção de menos de 4 bilhões de doses a longo prazo, metade da fabricação já esteja na mão de um grupo de países ricos. Quando os países começarem a ter de vacinar populações inteiras, essa questão do acesso será crucial, alertou Kieny.


