Ge­ne­bra- O Ins­ti­tu­to Bu­tan­tã te­rá de ­doar 10% de sua pro­du­ção de va­ci­nas con­tra o ví­rus in­fluen­za A (H1N1) à Or­ga­ni­za­ção Mun­dial da Saú­de (OMS). On­tem, a agên­cia de Saú­de da ONU aler­tou que a dis­se­mi­na­ção da gri­pe A é in­con­tro­lá­vel e que to­dos os paí­ses pre­ci­sa­rão com­prar a va­ci­na pa­ra sua po­pu­la­ção. Mas aler­ta: não ha­ve­rá va­ci­nas pa­ra to­dos e 1,8 bi­lhão de do­ses já fo­ram ad­qui­ri­das de for­ma an­te­ci­pa­da por paí­ses ri­cos.
  On­tem, a en­ti­da­de anun­ciou re­co­men­da­ções pa­ra a pro­du­ção de va­ci­nas e ­quem de­ve ser os pri­mei­ros a ser va­ci­na­dos. ‘‘Dian­te do fa­to de que con­si­de­ra­mos a dis­se­mi­na­ção do ví­rus co­mo in­con­tro­lá­vel, a va­ci­na se­rá ne­ces­sá­ria em to­dos os ­países’’, aler­tou a OMS em sua re­co­men­da­ção ofi­cial. O do­cu­men­to foi apre­sen­ta­da co­mo con­clu­são da reu­nião do Co­mi­tê de Es­pe­cia­lis­tas de Va­ci­nas da OMS, que se reu­niu es­pe­cial­men­te pa­ra tra­tar do as­sun­to na se­ma­na pas­sa­da.
  Ho­je, a di­re­to­ra-ge­ral da OMS, Mar­ga­ret ­Chan, vai anun­ciar que não ha­ve­rá ma­nei­ra de pro­du­zir va­ci­nas pa­ra os 6,8 bi­lhões de ha­bi­tan­tes do pla­ne­ta. Pa­ra ela, a ques­tão das pa­ten­tes vol­ta­rá ao cen­tro dos de­ba­tes. Sem va­ci­nas pa­ra to­dos, a OMS apre­sen­tou es­tra­té­gias que po­de­rão ser usa­das pe­los paí­ses.
  Pro­fis­sio­nais da ­área de saú­de de­vem ser prio­ri­za­dos na imu­ni­za­ção, ­além do pes­soal do se­tor de in­fraes­tru­tu­ra es­sen­cial, co­mo se­gu­ran­ças e fun­cio­ná­rios de ae­ro­por­tos. ‘‘­Eles são os ­mais ­expostos’’, dis­se Ma­rie-Pau­le ­Kieny, di­re­to­ra de va­ci­nas da OMS. Se­gun­do ela, a pre­ser­va­ção da in­fraes­tru­tu­ra bá­si­ca de um ­país é fun­da­men­tal.
  A va­ci­na só fi­ca­rá pron­ta em ou­tu­bro, mas che­ga­rá ao mer­ca­do ape­nas em de­zem­bro, de­pois de tes­tes clí­ni­cos. Den­tro da OMS, o te­mor é de que che­gue tar­de, já que a se­gun­da on­da da gri­pe no he­mis­fé­rio nor­te pos­sa co­me­çar com a che­ga­da do in­ver­no.
  Por is­so, paí­ses com re­cur­sos já es­tão ne­go­cian­do com em­pre­sas. Em con­tra­tos con­cluí­dos en­tre go­ver­nos e mul­ti­na­cio­nais, a OMS es­ti­ma que 1 bi­lhão de do­ses já es­te­jam com­pro­me­ti­das.
  Só a Fran­ça já com­prou 100 mi­lhões de do­ses, en­quan­to ou­tros paí­ses fi­ze­ram en­co­men­das que re­pre­sen­tam ­duas ve­zes ­suas po­pu­la­ções. Um dos te­mo­res é de que, com uma ca­pa­ci­da­de de pro­du­ção de me­nos de 4 bi­lhões de do­ses a lon­go pra­zo, me­ta­de da fa­bri­ca­ção já es­te­ja na mão de um gru­po de paí­ses ri­cos. ‘‘Quan­do os paí­ses co­me­ça­rem a ter de va­ci­nar po­pu­la­ções in­tei­ras, es­sa ques­tão do aces­so se­rá ­crucial’’, aler­tou ­Kieny.

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