Países pobres terão de esperar por vacina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de agosto de 2009
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra- O Hemisfério Sul terá de esperar para ter acesso à vacina contra a gripe A (H1N1). A Organização Mundial da Saúde (OMS) admite que, em um primeiro momento, não haverá um volume significativo de vacinas e que não será a prioridade a imunização nos países da região. As campanhas começarão mesmo nos países ricos da Europa e América do Norte, algumas já em setembro. Para os países do Sul e, coincidentemente, os mais pobres, a OMS admite que não tem um plano sobre como será feita a vacinação. Por sua vez, a maioria dos países do Norte - as economias desenvolvidas - já tem garantidos acordos com os fabricantes de vacinas.
A única recomendação é para que os países do Hemisfério Sul montem planos para vacinar médicos e enfermeiras, com a meta de garantir que os serviços de saúde continuem funcionando. ''Essa orientação é para todos os países, pois esse é o grupo que corre maior risco'', disse Gregory Hartl, porta-voz da OMS.
O argumento da entidade é de que o momento mais forte de disseminação da gripe é o inverno e que a vacina tem sua eficácia maior exatamente se é dada no momento anterior ao início da temporada de gripe. Nesse caso, tanto o momento da chegada da vacina no mercado como o inverno se aproximando na Europa e Estados Unidos colocariam os países do Norte como os locais mais adequados para receber primeiro a vacina. ''Não é que não devemos vacinar os países do Sul. Mas o esforço teria mais sentido começando onde a onda de contaminação é mais forte'', afirmou Hartl.
As primeiras doses da vacina estarão disponíveis em setembro e, nesse momento, a maior circulação do vírus ocorrerá no Norte. ''O normal é que a vacinação seja feita antes da temporada (de gripe). Como teremos um volume muito limitado de vacinas no começo, a prioridade será o Hemisfério Norte nesse momento'', disse Hartl. Segundo ele, apenas a partir de janeiro é que o volume de produção de vacinas será significativo.
Mas os comentários se contradizem com declarações feitas há poucas semanas pela própria OMS. A entidade constatou que o número de novos casos não sofreu a queda esperada quando chegou o verão europeu e americano. A agência de Saúde da ONU até mesmo admitiu ter ficado surpresa diante do fenômeno e da resistência do vírus a temperaturas mais elevadas. A projeção, portanto, era de que a proliferação da gripe continuará nos países do Sul, mesmo com o fim do inverno.
Atualmente, a América Latina tem 90% dos casos de morte no mundo e uma importante proporção dos casos conhecidos de contaminação.


