Viena-Os países ricos, sobretudo os Estados Unidos, confiam cegamente nos medicamentos com base no ópio para tratar a dor e os monopolizam, em detrimento dos países pobres, destaca o relatório anual que será publicado hoje pela Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes (JIFE).
Em 2002, os países em desenvolvimento só consumiram 6% da morfina produzida com finalidades médicas apesar de representarem 80% da população mundial. Os países mais ricos do planeta açambarcaram 87% deste tipo de remédio, segundo a JIFE que citou um exemplo: os Estados Unidos sozinhos consomem 48% da morfina que circula no mundo.
A mesma tendência se observa com outros analgésicos compostos de ópio que, embora disponíveis, são considerados demasiado caros, principalmente para países em desenvolvimento, segundo a JIFE. Para melhorar o acesso aos analgésicos opiáceos nas regiões menos favorecidas do mundo, sobretudo na África, a agência pede à indústria farmacêutica que baixe os preços, já que a ''produção atual de matérias-primas derivadas do ópio é suficiente para pôr mais substâncias deste tipo à disposição do mundo''.
A JIFE sublinha, além disso, que a produção mundial dos derivados - morfina e tebaína - atingiu em 2002 um nível recorde, que supera a demanda mundial, registrando 466 toneladas de morfina e 117 toneladas de tebaína sintetizadas.
Em 2003, esta produção ficou em torno de 516 toneladas de morfina e 119 de tebaína, ambas sintetizadas.
Temendo que todo isto gere a criação de reservas perigosas, a agência pede aos países produtores de papoula que extraem os alcalóides para usos terapêuticos que aumentem o controle dos cultivos.
A JIFE também mostra sua ''preocupação'' com o nível recorde de fabricação legal de anfetaminas, geralmente prescritas para tratar disfunções na saúde humana.
''Este fenômeno se deve aos Estados Unidos, principal consumidor de estimulantes do mundo'', segundo a agência, que assegura que 1,3 bilhão de doses de anfetaminas foram fabricadas nos Estados Unidos em 2002, cifra que representa um aumento de 700% em relação a 1992. Hoje em dia, os adolescentes e adultos conseguem estas substâncias sem dificuldade e as consomem ''junto com a heroína e a cocaína''.
A JIFE adverte também sobre os riscos da venda e da publicidade ilegais destes produtos na Internet. Por isso, a agência pede às autoridades dos países afetados que ''redobrem sua vigilância em relação ao desvio, tráfico e abuso de estimulantes para tratar problemas de concentração, além de mantê-la informada sobre a evolução desta questão''.

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