A Convenção das Nações Unidas destinada a eliminar os 12 poluentes orgânicos persistentes (POPs) altamente tóxicos foi firmada ontem, em Estocolmo, por 90 países. Esta Convenção de Estocolmo sobre os POPs foi adotada na véspera e por consenso por 127 países. A mesma foi preparada em Johanneburgo, ao final de dois anos de negociações com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Antígua e Barbuda foi o primeiro país a firmar o texto, que entrará em vigor quando for ratificado por pelo menos 50 países. Este processo durará vários anos.
Como havia anunciado no mês passado, o Canadá concedeu a seu ministro do Meio Ambiente, David Anderson, os poderes necessários para ratificar imediatamente o texto, sem necessidade de submetê-lo ao Parlamento. Esta convenção ‘‘constitui o primeiro sistema real de controle dos POPs’’, declarou Anderson à AFP.
‘‘O fato de que inúmeros países a tenham firmado tão rapidamente é um sinal alentador’’, disse o ministro canadense. ‘‘Estamos igualmente satisfeitos pelo apoio que nos concede os Estados Unidos neste assunto’’, acrescentou.
Os Estados Unidos, que anunciaram recentemente sua intenção de aderir à Convenção, já não produz nenhuma das doze substâncias em questão, o que pode explicar a rapidez com que anunciou que a ratificaria, ao contrário do que aconteceu com o protocolo de Kyoto, acordo que visa lutar contra o aquecimento do clima do planeta e que foi denunciado por George W. Bush tão logo assumiu a presidência.
A Convenção de Estocolmo prevê a eliminação de 12 produtos, oito pesticidas (entre eles o DDT), dois produtos industriais e dois subprodutos da incineração de lixo e materiais plásticos, a dioxina e o furano.
Estes contaminantes tóxicos podem percorrer grandes distâncias antes de depositarem-se em algum lugar, geralmente muito longe de seus pontos de origem de emissão e só degradam-se completamente ao final de dezenas ou, inclusive, centenas de anos.
Os POPs se acumulam nos tecidos gordurosos (em particular nos peixes e mamíferos marinhos) e se concentram cada vez mais à medida que se transmitem na cadeia alimentar. Criam riscos para os fetos e os lactantes, já que se encontram na placenta e no leite materno.
O texto prevê exceções para o DDT, pesticida que muitos países pobres continuam utilizando para combater a malária, e o PCB, producto industrial utilizado nos transformadores elétricos.
A convenção sobre os POPs é considerada pelos especialistas uma iniciativa coordenada e eficaz dos governos de todo o mundo para proteger a vida no planeta. No entanto, muitos especialistas enfatizam que as divergências entre os Estados Unidos e a Europa fizeram com que não fosse possível acrescentar à lista de produtos proibidos outras substâncias altamente tóxicas.

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