Vilamoura, Portugal, 24 (AE) - Os países europeus estão recuando na decisão de julgar o ex-ditador do Chile Augusto Pinochet. O ministro chileno das Relações Exteriores, Juan Gabriel Valdes, anunciou em Portugal que a França não vai recorrer da decisão a ser tomada pelo ministro britânico do Interior, Jack Straw, a respeito da extradição do general Pinochet.
"O ministro das Relações Exteriores francês comunicou formalmente ao governo do Chile que o governo da França não vai apresentar nenhum apelo à decisão que possa tomar nos próximos dias o senhor Straw, porque o governo da França valoriza em primeiro lugar os procedimentos judiciais britânicos, reconhece em segundo lugar as atribuições do senhor Straw e valoriza, por último o processo democrático chileno", afirmou Valdes em Portugal.
Dos quatro países que pretendiam a extradição de Pinochet, apenas a Bélgica continua com a posição de discutir em tribunal caso o ministro britânico considere que o estado de saúde do ex-ditador não permite que seja julgado. "À espera de uma decisão da Bélgica, tanto o governo da Espanha quanto o governo da Suíça como o governo da França decidiram não recorrer à eventual decisão do senhor Straw no sentido de permitir a repatriação do general Pinochet", disse Valdes.
Valdes afirmou que está tentando convencer as autoridades belgas. "Já tivemos duas reuniões com o governo belga e nestes dias em Portugal pudemos também conversar com os representantes do governo da Bélgica, aos quais colocamos que para o governo belga seguir até o fim sua posição, deveria ser no Chile ante os tribunais chilenos".
O chanceler chileno acredita que a decisão inglesa deverá ser tomada nos próximos dez dias: "Entendemos que a decisão do senhor Straw deva ser tomada até o final da próxima semana ou no começo da outra".
Para Valdes, a questão é de âmbito interno do Chile. "A forma como nós, os chilenos, resolvemos o problema da transição do Chile é algo que a nós corresponde. Portanto, se ele retornar ao Chile o processo vai voltar a ser o que deveria ter sido desde o começo. A idéia de decidir a partir de fora qual deve ser o destino do processo político de um país no sentido de julgar atos cometidos no passado constitui um fato que nos parece que não contribui para a transição chilena, muito menos para o processo de reconciliação entre os chilenos".

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