Países em desenvolvimento devem se precaver contra terremotos
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Gustavo Capdevila, da IPS (assinatura obrigatória) 
Genebra (AE-IPS) - Os países em desenvolvimento precisam tomar consciência dos riscos de terremotos devido ao rápido aumento do perigo sísmico urbano, aconselhou um grupo de investigação estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A Iniciativa Radius, um projeto de instalação de instrumentos de levantamento de riscos para o diagnóstico de zonas urbanas contra as catástrofes sísmicas, recomendou também o fornecimento de orientações e assessoria aos países em desenvolvimento ameaçados.
Os especialistas asseguraram que atualmente dispõem dos instrumentos práticos para reduzir as consequências dos tremores de terra antes que eles aconteçam. A atividade sísmica no mundo em 1999 acabou sendo moderada apesar de alguns terremotos severos, como os registrados na Turquia, Grécia e Taiwan, disse Philiuppe Boullé, diretor da Secretaria da Década Internacional de Prevenção de Desastres Naturais (IDNDR), o organismo da ONU que lançou a Iniciativa Radius. Em câmbio, nos primeiros 90 anos deste século os terremotos foram uma das ameaças mais letais e destrutivas da natureza, com um saldo de mortes e torno de um milhão e meio de pessoas.
Os movimentos registrados na Turquia, Grécia e Taiwan remarcaram a importância das medidas de prevenção a longo prazo para assegurar uma maior resistência das cidades perante os tremores. A Iniciativa Radius, financiada pelo governo do Japão, realizou um estudo durante os últimos dois anos para obter uma avaliação comparativa da magnitude, causas e as fórmulas de gestão do risco sísmico em cidades de todo o mundo.
Outro objetivo da investigação se propunha a identificar as cidades que enfrentam o desafio de ameaças de terremotos similares. Ao concluir os trabalhos, a Radius tentava deixar instalado um fórum onde as cidades puderam compartilhar suas experiências de terremotos e de gestão do risco sísmico. O estudo se concentrou em nove cidades selecionadas: Addis Abeba (Etiópia), Antofagasta (Chile), Bandung (Indonésia), Guaiaquil (Equador), Esmirna (Turquia), Skopie (Macedônia), Tashkent (Uzbekistão), Tijuana (México) e Zigong (China). A primeira fase da investigação consistiu em uma estimativa do risco sísmico das cidades, estabelecido através de um cenário de prejuízos ocasionados por um terremoto. O trabalho se completou com uma planificação da gestão do risco mediante um plano de ação.
O estudo dos casos das nove cidades contribuiu para incrementar de maneira considerável a consciência do público, pois as atividades dos investigadores foram divulgadas profusamente pelos meios de comunicação. O trabalho dos especialistas favoreceu também uma colaboração estreita entre o setor científico e as autoridades locais. No futuro os instrumentos práticos da Iniciativa Radius serão empregados em muitas cidades para realizar tarefas simples de redução dos prejuízos ocasionados pelos terremotos.
O diretor do projeto, Kenji Okazaki, estimou que se a Radius for aplicada de forma correta, "ajudará a salvar vidas e propriedades". No entanto os especialistas preveniram que a Radius só representa o primeiro passo de um extenso trajeto, pois a redução do risco sísmico é um empreendimento de longo prazo. A conclusão do objetivo da Radius, de cidades sismicamente seguras, demandará decênios, porque são muito difíceis as tarefas de fortalecer as atuais construções vulneráveis ou de transladar sua localização. Nos casos das nove cidades estudadas, os riscos sísmicos continuarão aumentando, a menos que sejam adotadas medidas imediatas, admitiu o informe da Iniciativa Radius divulgado em Genebra.
Mas o estudo ajudará a estender a consciência entre as comunidades, a outorgar prioridade à planificação do uso da terra conforme as normas de edificação, a readaptar as estruturas existentes e, especialmente, a promover o manejo preventivo dos danos sísmicos. "Apesar dos avanços no campo científico, até agora carecemos de elementos para antecipar os terremotos", precisou Boullé. "Em termos gerais, estimamos que nos próximos 50 anos ainda não disporemos dos instrumentos práticos para a tomada de decisões nesta matéria, para o manuseio da crise e para um sistema de alerta mais rápido. Talvez necessitemos de mais tempo", insistiu.
Os estudos realizados sobre o comportamento da falha de Anatólia, na Turquia, sugerem que nas próximas décadas se produzirá um grande terremoto na área próxima à cidade histórica de Istambul. Mas este terremoto pode acontecer amanhã, daqui a cerca de três anos ou dentro de 30 ou 40. Não estamos em condições de prever isso, declarou o diretor da IDNDR. Apesar disso, o organismo da ONU pode examinar com os municípios de Istambul e de outras cidades dessa região a realização de estudos e a aplicação de medidas para reduzir a vulnerabilidade dos principais elementos ameaçados.


