Países da UE rejeitarão contatos com uma Aústria de Haider
Bruzelas, 31 (AE-AP) - A presidência da União Européia (UE) anunciou hoje (31) que 14 países da instituição vão rejeitar todos os contatos oficiais com um governo da áustria (também sócia da instituição de 15 membros) eventualmente integrado pela extrema direita xenófoba.
"Esses países não apoiarão tampouco candidaturas austríacas a cargos internacionais e atenderão os embaixadores austríacos apenas em nível técnico", afirma em comunicado oficial o primeiro-ministro de Portugal, Antonio Guterres, que exerce a presidência rotativa da UE.
Guterres insiste em que a resolução tem respaldo integral de todos os chefes de Estado e governo da maioria esmagadora dos países membros. O comunicado foi enviado ao presidente austríaco, Thomas Klestil, que deverá designar oficialmente amanhã um primeiro- ministro para forçar o novo governo austríaco - desde que o conservador Wolfgang Schuessel, líder do Partido Popular Austríaco (OEVP) e o neonazista Joerg Haider, chefe do Partido Liberal (FPOE), concluam uma aliança.
Estimulado principalmente por França, Bélgica e Alemanha, Guterres já havia advertido Viena no fim de semana: "Lamentamos, mas não podemos manter relações normais com um país que tenha no governo um partido com um discurso xenófobo e não respeite os valores essenciais da família européia."
Na mensagem enviada a Klestil, o presidente da UE manifesta a esperança de que a coalizão entre o FPOE e o OEVP "possa ser evitada".
Reunido em Estrasburgo (França), o Conselho Europeu exigiu de seus 41 países membros - entre os quais figura a áustria - "enérgica tomada de posição contra os partidos de caráter racista ou xenófobo".
No sábado, Haider desferiu um corrosivo ataque contra sócios europeus da áustria que se opõem a suas aspirações de chegar ao governo. Disse que o presidente francês, Jacques Chirac, não "sabe o que diz" sobre a política austríaca. E classificou o governo belga de corrupto, lembrando o envolvimento de dirigentes políticos belgas em escândalos pedófilos.
As declarações do dirigente neonazista provocaram reações de indignação dentro e fora do país. O presidente Klestil manifestou-se "consternado" e advertiu Haider pelo que classificou de "descarrilamento verbal" e "absoluta falta de sensibilidade nas relações internacionais. Até mesmo Schuessel pareceu visivelmente chocado com as declarações intempestivas.
Hoje, Haider admitiu ter "exagerado", mas manteve as acusações contra Chirac. E acusou Klestil de "não defender a áustria diante dos ataques internacionais".
Segundo o famoso "caçador de nazistas" Simon Wiesenthal, que mora na capital austríaca, Klestil é um homem "totalmente isolado". Ele pediu a realização de novas eleições gerais no país.
Contudo, a guerra verbal parece fortalecer a imagem de Haider perante o eleitorado austríaco. Pesquisa divulgada hoje pelo Kronen Zeitung dava a ele 33% das intenções de voto - um ponto percentual acima dos social-democratas.





