Países da Região Amazônica querem eliminar uso de mercúrio
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quinta-feira, 01 de julho de 2004
Lisandra Paraguassú<br>Agência Estado 
Brasília, DF- A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), que reúne os países da região, vai desenvolver um plano estratégico para tentar eliminar ou reduzir o uso de mercúrio nos garimpos nos rios da Bacia Amazônica. O mercúrio utilizado na extração de ouro contamina solo e água e provoca uma série de problemas de saúde nos moradores da região.
O metal afeta garimpeiros, vendedores de ouro e populações próximas a áreas de extração, além daqueles que se alimentam de peixes contaminados. O mercúrio, um metal pesado, se acumulando nos organismos vivos e pode causar intoxicações severas, problemas respiratórios, no sistema nervoso e nos rins. Não há cura.
''Os efeitos causados pelo uso do mercúrio são um dos maiores problemas ambientais e de saúde pública na região'', disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Nascida e criada no Acre, a própria ministra é uma das vítimas da contaminação por mercúrio e precisa seguir uma dieta alimentar rígida para compensar os efeitos do metal em seu organismo.
Marina também explicou que a OTCA decidiu sobre a criação de uma rede de corredores ecológicos e de áreas protegidas envolvendo os países amazônicos e o Projeto de Gestão Integrada e Sustentável dos Recursos Hídricos Transfronteiriços na Bacia Amazônica, em que os países do tratado trabalharão em conjunto para proteção dos rios da região.
O projeto tem US$ 30 milhões do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) e será implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). ''Essas iniciativas terão reflexos positivos sobre o uso das águas e dos recursos naturais na bacia, já que os biomas não reconhecem fronteiras geográficas'', disse.
Marina destacou a necessidade da OTCA atuar de forma conjunta, em foros regionais e internacionais, sobre a questão do acesso aos recursos genéticos e pela defesa dos conhecimentos tradicionais. A ministra acredita que a entidade possa funcionar como um ''fórum de intercâmbio'' sobre informações e experiências para que uma ação regional ganhe força. ''Vários membros da Organização têm pleiteado uma reforma no sistema internacional de patentes, de modo que possam ser concedidas respeitando os princípios da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica'', disse.


