País volta a exportar polpa cítrica para a Europa
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Mariângela Herédia 
Brasília, 23 (AE) - O Brasil está retomando hoje as exportações de farelo de polpa cítrica para a União Européia, após 15 meses de suspensão por causa de contaminação por dioxina detectada no produto importado pela Alemanha em março do ano passado. De acordo com o diretor do departamento de fiscalização e fomento da produção animal do Ministério da Agricultura, Julio Puga, 45 mil toneladas do produto - usado como ração bovina -, vendidas por US$ 3,6 milhões, começaram a ser embarcadas hoje no Porto de Santos para ser transportadas para a Holanda no início da próxima semana.
A liberação das exportações pela União Européia ocorre depois que o Ministério da Agricultura passou a exigir que todos os insumos usados na produção de farelo de polpa cítrica fossem controlados e registrados. Também proibiu a utilização da cal hidratada na fabricação do produto, já que foi constatado que a contaminação por dioxina ocorreu devido à utilização de cal para neutralizar a acidez da polpa cítrica.
No processo de investigação promovido pela Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus) e Ministério da Agricultura descobriu-se que a empresa fornecedora de cal à indústria de polpa era a responsável pela contaminação, pois misturava a cal de mina com a hidratada, que continha dioxina acima dos índices permitidos.
Quando as importações de polpa cítrica foram proibidas pela Europa, o Brasil vendia anualmente cerca de US$ 100 milhões do produto, ou 1,3 milhão de toneladas do total de 1,5 milhão produzidos. Logo que a contaminação foi detectada na Alemanha, foram apreendidas 94,9 mil toneladas de farelo de polpa cítrica em 11 países da Europa e 11,1 mil toneladas de rações que continham o produto.
Para liberar as compras de polpa do Brasil, a União Européia exigiu o esclarecimento das causas da contaminação e a adoção de medidas para eliminá-las do processo de produção. Também pediu que o governo brasileiro certificasse os lotes para exportação. "A União Européia acreditou no trabalho desenvolvido no Brasil e hoje temos o melhor sistema de monitoramento da fabricação de farelo de polpa cítrica", avaliou Puga.


