São Paulo, 22 (AE) - O especialista em economia do trabalho José Pastore acredita que mais fábricas serão desativadas em São Paulo. Em busca de custos menores, as indústrias transferirão suas unidades para outros Estados. Segundo ele, a instalação da uma unidade da Ford na Bahia e o anúncio simultâneo de fechamento da fábrica, localizada no bairro do Ipiranga (SP), é um exemplo dessa tendência.
"O que está acontecendo no Brasil é uma miniglobalização", afirmou Pastore, comparando o caso brasileiro com o que vem ocorrendo no mundo. Ao detectar uma vantagem competitiva em um local (salários mais baixos e/ou concessão de incentivos), uma multinacional encerra suas atividades num país e muda-se para outro. Em 1998, a Alemanha perdeu US$ 80 bilhões de investimentos (já instalados) para outros países. O salário industrial médio alemão é de US$ 28/hora contra, por exemplo, o de US$ 8/hora na Coréia e o de US$ 6,5/hora, no Brasil.
No caso específico da indústria automobilística, as diferenças também são grandes. O salário médio na Alemanha é de US$ 32/hora contra US$ 10/hora pagos pelas montadoras instaladas no ABC paulista. No mercado interno, as diferenças também são significativas, de acordo com Pastore. Um ferramenteiro, que trabalhe na fábrica da Fiat em Betim, ganha 35% a menos do que a média do ABC. Pastore acredita que os futuros operários da nova fábrica da Ford na Bahia ganharão menos do que os paulistas.
"A globalização é dramática, pelo lado humano, porque o capital é cada vez mais móvel, enquanto a mão-de-obra não é", disse o professor. Além das vantagens com redução do custo da mão-de-obra, as empresas buscam países que concedam incentivos e subsídios diretos e indiretos. Assim, por exemplo, leis menos rigorosas de proteção ao meio ambiente são um grande atrativo indireto que países em desenvolvimento, como o Brasil, oferecem às empresas.

mockup