São Paulo, 11 (AE) - Oito Estados foram afetados pelo maior blecaute já ocorrido no País. São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul ficaram com regiões sem energia desde as 22h10 desta quinta-feira (11). Em algumas regiões, a situação começou a ser normalizar às 23 horas.
Às 22h30, o chefe de Operações de Furnas Centrais Elétricas, em Foz do Iguaçu, José Maurício Zaroni, informou que ainda não sabia o motivo do blecaute. "Caiu o sistema, mas não sei o que aconteceu", disse. "O pessoal de operações está em polvorosa." Pouco mais tarde, reunidos com técnicos, ele disse que o problema não ocorreu na subestação de Foz nem na Hidrelétrica de Itaipu, mas no sistema interligado que leva energia para as regiões sul e sudeste.
Segundo informou no Rio a Assessoria de Imprensa da Eletrobrás
o problema foi de fato causado por falha no sistema de energia alternada e contínua de Itaipu, ou seja, na linha de transmissão.
Mas houve problemas também na Usina de Jupiá, na divisa de São Paulo e Mato Grosso do Sul, onde o sistema caiu e todos técnicos em manutenção foram convocados para tentar resolver a situação.
Explicações - "É o maior blecaute desde 1985", de acordo com o secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce. Ele não havia sido comunicado, até as 23 horas, das causas do blecaute. Mas, pelas características e abrangência do apagão, ele considerava pouco provável que o problema tivesse sido provocado pela queda de torres de transmissão de energia. "As características são típicas de instabilidades no sistema."
A hipótese mais provável, de acordo com Arce, é que tenha havido uma dessincronia no funcionamento das usinas hidrelétricas, o que faz com que ocorra um desligamento geral das geradoras, em efeito dominó. Segundo ele, as usinas pertencentes à Companhia Energética de São Paulo (Cesp) já estavam sendo colocadas em operação, mas não havia previsão de quando o sistema estaria funcionando plenamente.
O Espírito Santo também ficou sob total escuridão, de acordo com Francisco Gomide, presidente da Escelsa, a concessionária que atende o Estado. Gomide, que já foi presidente de Itaipu Binacional, estava tentanto confirmar informações de que teria ocorrido uma paralisação de algumas máquinas geradoras da hidrelétrica, a maior do País, com mais de 12 mil MW de capacidade instalada.
São Paulo ficou totalmente às escuras a partir das 22h15, por pelo menos uma hora. Depois disso, algumas poucas regiões começaram a ter energia de volta. Houve uma grande confusão. A maioria das cidades do interior também foi afetada.
No Rio, que também ficou inteiramente sem energia, a situação começou a ficar normal em alguns bairros por volta de 23 horas. Mas tudo se apagou novamente pouco depois.
O gerente de Divisão de Operações da Copel, Antonio Tadeu Pereima, disse que "o problema em Curitiba foi bastante isolado
só algumas regiões ficaram sem energia das 22h39 até 23 horas quando tudo se normalizou. Em alguns bairros nem chegou a faltar luz. Houve problemas nas principais cidades do interior.
No Estado de São Paulo, a região metropolitana da capital foi afetada, assim como as regiões de Santos, Bauru, Araraquara e o Vale do Paraíba. Em várias regiões, as luzes começaram a piscar e perderam intensidade antes de apagar totalmente. Algumas fábricas atrasaram a entrada do terceiro turno e outras aguardavam a volta da energia para saber se poderiam movimentar suas linhas de montagem.

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