A consultora Ivani Rossi, que pesquisa há anos o poder de persuasão da criança junto à família, acredita que a influência crescente dos filhos nas compras está diretamente relacionada à exposição exagerada aos meios de comunicação. ''Os pais trabalham muito, a mulher se firmou no mercado de trabalho e os filhos têm passado cada vez mais tempo diante da TV e do computador. Em alguns casos, encher a criança de presentes tem sido uma forma que o pai achou para se redimir da falta de tempo, de afeto'', argumenta.
Para tecer suas conclusões a respeito do comportamento dos pequenos consumidores, Ivani tem feito estudos anuais sobre o tema. Em 2006, ouviu 1.500 mães com filhos entre dois e 14 anos e descobriu que 85% das crianças exerciam influência nas aquisições da família. Em 2000, o índice era de 71%. Ivani detectou três tipos de crianças: conformadas, estrategistas e rebeldes. ''O tipo estrategista predomina, manifesta-se em 58% dos casos. São crianças que negociam com os pais por meio de argumentos conhecidos, tais como: 'Mereço ganhar! Escovo os dentes sem você mandar'. As conformadas representam 14% do total'', relata a profissional. O estilo rebelde-mirim, aquele tipo que protagoniza as principais cenas de birra que se vê em público, corresponde a 29% das crianças pesquisadas.
Na avaliação da diretora clínica do Instituto de Neurociência e Comportamento de São Paulo, Maria Cristina Dotto, o consumismo irrefletido não é provocado apenas pelo excesso de propagandas. ''Há crianças que chegam a substituir as brincadeiras lúdicas pela compra. Elas recebem, sim, a influência dos comerciais, mas também são influenciadas pelos pais'', completa.(A.E.)

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