País tem deficit de 200 aparelhos de radioterapia
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quinta-feira, 26 de maio de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Os inúmeros problemas enfrentados pelos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) não são novidade para ninguém. Horas de espera na fila por uma consulta simples, meses para o agendamento com um especialista, dificuldade no acesso a medicamentos ou a tratamentos avançados. Em alguns casos, ainda que em menor escala, as barreiras também são encontradas na rede privada.
Em uma área específica da medicina, a oncologia, o tempo é uma questão decisiva para a sobrevivência do paciente. Para discutir melhorias como o incentivo ao diagnóstico precoce e a tratamento de qualidade do câncer, especialistas de todo o País se reuniram em Brasília na semana passada no 6º Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncologia, de iniciativa do Instituto Oncoguia. A ONG, fundada em 2009 pela psicóloga Luciana Holtz, tem como um dos objetivos auxiliar na mudança da realidade do combate à doença no País.
Em relação à demora, um dos casos mais emblemáticos na oncologia brasileira talvez seja o do deficit de aparelhos de radioterapia no País. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza uma máquina para 300 mil habitantes. Com 269 aparelhos, o Brasil tem um equipamento para cada grupo de 750 mil moradores. A Região Sul tem o menor deficit, com um acelerador linear para 525 mil pessoas, em contraste com a Região Norte, que tem apenas nove equipamentos e proporção de quase 2 milhões de pessoas por aparelho.
Em 2012, o governo federal lançou o Plano de Expansão da Radioterapia no Sistema Único de Saúde (SUS), com a aquisição de 80 novos aparelhos em 23 Estados. A previsão inicial era de que as primeiras máquinas entrassem em funcionamento em 2014. Dois anos depois, nenhuma sala com os aparelhos foi inaugurada e somente dez já estão em obras. No Paraná, de sete unidades inclusas no plano de expansão, apenas a do Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, teve as obras iniciadas. Os outros seis centros localizados em Curitiba, Londrina, Arapongas, Campo Mourão, Guarapuava e Campina Grande do Sul têm início das obras previstas para o fim deste ano, com estimativas de conclusão entre agosto de 2017 e março de 2018.
Segundo Marco Aurélio de Carvalho, responsável pelo setor no Ministério da Saúde, o atraso se deu na elaboração de projetos para reforma dos hospitais. Ele explicou que o equipamento exige adaptações estruturais nos prédios. "É um projeto de expansão ambicioso. Ficamos atrás apenas do Japão no número de aparelhos adquiridos. Com a última etapa de obras concluída, vamos dar um grande salto no País no tratamento do câncer", disse Carvalho.
O presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, Eduardo Weltman, pensa diferente. Ele cita os dados da OMS e diz que o deficit na rede pública é de 200 máquinas. "O programa de expansão é louvável, mas insuficiente. Além disso o ritmo lento tende a ser engolido pela demanda que cresce no País", avaliou. Hoje, a estimativa é que 60% dos pacientes com câncer no País precisem da radioterapia. Neste ano, são esperados 600 mil novos casos, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Carvalho destacou ainda que o plano prevê a transferência de tecnologia. No contrato, a empresa Varian, que ganhou a licitação para fornecer os aceleradores lineares, se comprometeu a instalar uma fábrica em Jundiaí (SP). A previsão é que os aparelhos comecem a ser fabricados no Brasil, a menor custo, até 2018. "É um processo parecido com a compra dos caças para a Força Aérea. Em um futuro próximo, produziremos nossos próprios aparelhos de radioterapia", destacou Carvalho.



