Agência Folha
Estimativa divulgada ontem pelo Ministério da Saúde mostra que 536,9 mil pessoas entre 15 e 49 anos estariam infectadas pelo HIV (vírus da Aids) no Brasil até dezembro de 98. O número de portadores, no entanto, pode chegar a 603 mil. A maioria (67,8%) dos infectados teria entre 15 e 34 anos e seria do sexo masculino (66,1%).
A estimativa foi feita pela Fundação Oswaldo Cruz e a Coordenação Nacional de DST/Aids. Essa é a primeira vez que o governo federal levanta o número de infectados pelo HIV no País.
Os portadores do HIV têm a presença do vírus no sangue, mas ainda não desenvolveram a doença. Por isso, só seria possível descobrir o número exato de infectados se toda a população fosse submetida a teste sanguíneo. Para calcular o número estimado de infectados no País, os técnicos do
Ministério da Saúde analisaram 180 mil amostras de sangue que haviam sido coletadas em maternidades, prontos-socorros e clínicas de doenças
sexualmente transmissíveis de 44 municípios entre 97 e 98. Os 536,9 mil são a média entre a estimativa do número mínimo de infectados com o HIV (470,6 mil) e o máximo (603 mil), na faixa etária de 15 a 49
anos.
A estimativa do Ministério da Saúde está próxima de levantamento da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) que indicava a existência de 550 mil pessoas infectadas no Brasil.
Em 1990, o Banco Mundial (Brid) havia estimado que, até 2000, o Brasil teria 1,2 milhão de pessoas infectadas pelo HIV caso o país não implementasse programas de prevenção.
No ano passado, novo relatório do Bird fez uma revisão da estimativa, prevendo uma redução de até 44% na previsão inicial em função das ações de prevenção desenvolvidas por ONGs, financiadas pelo banco e pelo governo federal.
‘‘Nós gastamos três vezes mais com tratamento e prevenção à Aids do que com vacinas. E olha que o Brasil tem uma excelente cobertura vacinal’’, disse o ministro da Saúde, José Serra.
Neste ano, o Ministério da Saúde dispõe de aproximadamente R$ 600 milhões para desenvolver ações de prevenção e comprar medicamentos para o
tratamento de doentes de Aids. A verba para a campanha de vacinação é de R$ 200 milhões.
O Orçamento de 2000 prevê R$ 415 milhões para a compra de medicamentos da Aids. Serra afirmou, entretanto, que serão necessários pelo menos R$ 584 milhões. ‘‘Mas não estou preocupado porque teremos suplementação, como aconteceu
neste ano. Não vou sofrer de véspera , disse.
Do total de portadores estimados, 163,3 mil haviam apresentado sinais da doença e comprovado a contaminação pelo HIV de 1980 até maio passado. Desses, 82,9 mil já morreram, segundo dados do último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. De março a maio deste ano, o Ministério da Saúde recebeu 8.189 notificações. Desse total, 5.164 se referiam a novos casos detectados no período. As outras 3.025 notificações são referentes a casos de anos anteriores, só agora resgatados pelo sistema de vigilância. São Paulo registra sozinho quase a metade dos novos casos registrados no trimestre: 2.430. Mas isso acontece porque o Estado tem um dos melhores sistemas de notificação do país. O Rio de Janeiro, por exemplo, não notificou nenhum caso no período porque o sistema de vigilância no Estado está sendo reestruturado.
O primeiro caso oficial de Aids no Brasil foi registrado em 1980. Até 1983, só havia 178 doentes no país. Os casos de Aids explodiram em 1985, com o surgimento de 1.154 novos doentes. Seis anos depois, o número havia aumentado dez vezes, passando para 11,605 mil.
Desde 96, o número de novos casos tem se mantido estável, em torno de 20 mil por ano.

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