País tem 60% da população indígena doente
País tem 60%
da população
indígena doente
Cerca de 60% dos 350 mil índios brasileiros, ou seja, 210 mil índios, estão doentes no País, segundo o chefe do Departamento de Saúde da Fundação Nacional do Índio (Funai), o médico Oswaldo Cid. Ele afirma que, apenas entre os povos que vivem às margens do Rio Negro, na Amazônia, até 80% das terras indígenas estão afetadas por doenças como a hepatite B e a malária.
Entre outros povos, como os caiapós, no Mato Grosso, o problema é a tuberculose. Dos 670 caiapós, 52 têm a doença, segundo a sede regional da Funai de Colíder (a 500 km da aldeia).
O enfermeiro Edmilson José Mocci, da regional, afirma que a situação dos caiapós se agrava ainda mais porque há apenas um auxiliar de enfermagem para visitar todas as oito aldeias da região, com cerca de dois mil índios. Os casos mais graves, que na realidade são praticamente todos, são retirados da aldeia e trazidos para Colíder de avião, porque só temos um médico, dois enfermeiros e nenhuma condição de fazer corretamente os tratamentos.
Segundo Cid, a falta de médicos dentro de terras indígenas se reflete em todo o País. Desde o governo Collor não ocorrem contratações. Há 32 médicos da Funai, sendo que apenas nove trabalham diretamente nas áreas indígenas.
O médico afirma que a Funai está solicitando ao Ministério da Saúde e à Presidência da República ajuda para que se restabeleça o quadro de funcionários e aumente o orçamento para investimentos em saúde indígena.
Cortaram a verba da Funai de R$ 60 milhões para R$ 37 milhões neste ano, e isso não dá para cuidar da saúde do índio e fazer todas as outras atividades que a fundação desenvolve, diz. O médico também contesta a eventual transferência do controle sobre o serviço médico dos indígenas para a Fundação Nacional de Saúde (FNS). A FNS não conhece o índio como a Funai conhece, afirmou Cid. A FNS informa que irá assumir a saúde indígena de todo o País ainda este ano.
Dados da FNS indicam que a disseminação de doenças está praticamente sem controle nas aldeias ianomâmis. A população indígena não atinge 10 mil e, de 1991 a 1997, foram registrados 27.743 casos de malária, um índice de contaminação de 511 casos para cada mil habitantes. O índice de mortalidade infantil foi de 134,2 mortes de bebês de até um ano de idade para cada mil nascidos vivos - o valor é quase quatro vezes maior do que a média do país. A análise da causa da morte dos ianomâmis revela que 35,1% tiveram causas desconhecidas, ou seja, faltou atendimento médico. Entre 1991 e o final do primeiro semestre de 1998 morreram 1.211 ianomâmis.





