País tem 395 espécies em extinção
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de maio de 2003
Agência Estado 
Brasília - Macaco-prego, veado-bororó-do-sul, borboletas e três tipos de baleias (azul, fin e sei) estão entre as 395 espécies da nova Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, divulgada ontem no Dia Internacional da Diversidade Biológica, pelo Ministério do Meio Ambiente. A relação, que não era atualizada desde 1989, mantém o tamanduá-bandeira, a onça pintada, o lobo-guará e o mico-leão-dourado que, durante muitos anos, simbolizou a luta em defesa de animais em perigo de ser extintos no Brasil. Da lista anterior, que se resumia a 219 espécies , foram excluídos o jacaré-de-papo amarelo, a lontra e o gato-do-mato, entre outros.
''A recuperação da fauna é bandeira do nosso trabalho'', afirmou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que lançou edital no valor de R$ 6 milhões para projetos voltados à preservação e recuperação das espécies ameaçadas. A lista foi preparada por técnicos e pesquisadores do Ministério do Meio Ambiente, da Fundação Bioversitas e da Sociedade Brasileira de Zoologia.
Segundo João Paulo Capobianco, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, a lista funciona como uma referência legal para a aplicação da Lei de Crimes Ambientais, definição de prioridades de programas de pesquisa, recuperação dos animais ameaçados, criação de unidades de conservação e mitigação de impactos ambientais. Além da divulgação da lista, que está disponível no site do MMA, foi criado um grupo de trabalho para definir a sua periodicidade e a criação de uma classificação de graus de ameaça de cada espécie. ''No Brasil, não há ainda uma norma legal sobre essa classificação, que poderá auxiliar na definição das ações de curtíssimo prazo'', disse.
Essas ações terão o objetivo, segundo os secretário, de reverter as situações de ameaça e reduzir gradualmente a lista.
''Esta lista é a ponta de um iceberg'', comentou ambientalista Paulo Nogueira, explicando que muitas espécies não apareceram na relação nacional, mas já estão extintas em determinados Estados. Mas comemora a inclusão da jacutinga, uma ave que foi abundante no Rio de Janeiro e constou do cardápio do último baile na Ilha Fiscal, no dia anterior à Proclamação da República.
Assim como a relação anterior, a nova lista não incluiu peixes e invertebrados marinhos, apesar da recomendação da comunidade científica. Eles ainda passarão por mais análises. O diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rômulo Melo, explicou que a inclusão destas espécies na lista implicaria proibição da pesca. ''Se isso ocorresse, toda comunidade que sobrevive da captura do caranguejo-sá, por exemplo, estaria fadada à fome e à miséria.''
Capobianco, esclarece que para proibir um direito são necessários argumentos fortes. Caso contrário, se alguém fosse preso levantaria questionamentos jurídicos que poderiam acabar desqualificando a lista inteira de animias com risco de extinção.


