São Paulo - Apenas 25% dos brasileiros acima dos 15 anos têm domínio pleno das habilidades de leitura e de escrita, segundo pesquisa feita pelo Ibope. Isso significa que só um em cada quatro brasileiros consegue entender totalmente as informações de textos mais longos e relacioná-las com outros dados.
De acordo com o levantamento, 38% dos brasileiros podem ser considerados analfabetos funcionais não conseguem utilizar a leitura e a escrita na vida cotidiana. Desses, 8% são absolutamente analfabetos, e 30% têm um nível de habilidade muito baixo conseguem apenas identificar uma informação simples em um só enunciado, como um anúncio.
Outros 37% têm um patamar básico, capazes de localizar uma informação em textos curtos, como uma carta ou uma notícia. Para fazer a pesquisa, foi aplicado um teste com tarefas ligadas à leitura e à escrita. Além disso, os entrevistados responderam a um questionário. Em 2001 já havia sido feito um levantamento desse tipo, mas a oscilação está dentro da margem de erro.
Uma das principais constatações da pesquisa é que o nível de analfabetismo funcional fica abaixo de 40% somente quando os anos de estudo passam de oito nível fundamental completo. Na faixa de um a três anos de estudo, o percentual dos que não têm condições básicas de alfabetização atinge 83%. O domínio pleno da leitura e da escrita só ultrapassa os 50% entre os que já completaram ao menos o nível médio (11 anos ou mais de estudo).
O levantamento mostra uma tendência de queda no hábito de leitura entre 2001 e 2003. Houve diminuição, ainda que no limite da margem de erro, na leitura de jornais e livros. Na de revistas, ficou estável. Segundo a pesquisa, mulheres lêem mais que homens. A pesquisa é uma iniciativa de uma parceria da ONG Ação Educativa e do Instituto Paulo Montenegro (ligado ao Ibope).
A Unesco (organismo das Nações Unidas para educação e cultura) considera que um país erradicou o analfabetismo quando sua taxa é de, no máximo, 6% entre a população maior de 15 anos.
O represente da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, disse que o programa de erradicação ao analfabetismo é uma resposta do governo Lula aos apelos da ONU, que acaba de lançar a década da educação (2003-2013). ''O combate à pobreza começa na escola'', afirmou.

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