Agência Estado
De São Paulo
O Brasil recebe, entre hoje e o dia 26, diplomatas, ministros e chefes de estado dos países signatários da Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação, UNCCD. O documento começou a ser negociado durante a Rio-92, nas discussões da Agenda 21. Transformou-se em convenção e foi assinada em 14 de outubro de 1994, tendo sido ratificada, até agora, por 106 países.
Seu objetivo básico é difundir métodos e tecnologias de manejo de ecossistemas naturalmente frágeis ou fragilizados por atividades humanas inadequadas, para minimizar os processos de empobrecimento dos solos, perda de biodiversidade e agravamento de secas.
Estima-se que as terras sujeitas a um clima semi-árido representam quase um terço da superfície terrestre e abrigam mais de 900 milhões de habitantes. Nelas se produz 20% dos alimentos do mundo.
‘‘Seca e desertificação são os dois produtos mais tristes da relação entre degradação ambiental e miséria’’, observa o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. O ministro abre oficialmente a terceira reunião das partes, hoje, no Recife (PE), ao lado do responsável pelo Secretariado da UNCCD, Hama Arba Diallo. Para ele, a reunião é uma oportunidade de os países trocarem experiências e unirem esforços para combater a desertificação.
Nos países africanos, é mais grave a miséria e o desequilíbrio social vinculados aos processos de desertificação. No Brasil, o mapa oficial da desertificação coincide, a grosso modo, com o polígono das secas, no sertão nordestino, com uma extensão até o norte de Minas Gerais, num total de 238 mil km quadrados muito frágeis, altamente suscetíveis à degradação e perda de diversidade biológica e 98,5 mil km quadrados já afetados por estes processos.
Nem todo o semi-árido, porém, está sujeito a processos de desertificação. Muitas manchas de solo nordestino ainda estão entre os solos mais ricos do País, sobretudo porque estão livres da acidez e intemperização típica das regiões tropicais úmidas, presentes na Amazônia. A desertificação no sertão nordestino vem ocorrendo, de fato, onde a degradação ambiental – decorrente do sobrepastejo, da irrigação malfeita, da retirada irracional da vegetação nativa, de queimadas excessivas e de sistemas agropecuários inadequados – soma-se à escassez de chuvas. A situação é mais grave, por exemplo, no interior do Piauí, em Gilbués, junto às nascentes do rio Parnaíba, e na Paraíba.
No norte de Minas, a degradação está intimamente ligada à erosão e perda de solos férteis. E existem ainda pequenos núcleos no pampa gaúcho, no sul do Rio Grande do Sul, onde a superexploração de um solo fértil raso, no sistema de rotação de monoculturas de trigo e soja, rompeu o equilíbrio ecológico e abriu caminho para dunas de areia, em contínua expansão. Há pelo menos 40 núcleos destes com um total de 300 km quadrados de dunas.

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