O número de queimadas no Brasil praticamente dobrou em um ano. Hoje, o país registra, em média, mil novos focos de incêndio por dia. O satélite Noaa registrou, em agosto deste ano, 25.010 pontos de incêndio no país. Em agosto de 1997, as fotos dos satélites captaram 13.226 focos, segundo o boletim de monitoramento por satélite da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Portanto, em um ano, houve aumento de 90% do número de incêndios.
De acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o satélite Noaa-12 detectou, anteontem, 999 focos no país. A maior parte deles se concentra no sul do Pará, em Tocantins, no Piauí, na parte leste do Mato Grosso, na Bahia, em Goiás e no Maranhão. Cada um desses focos pode ter entre 30m e 800m de extensão. Alberto Setzer, do Inpe, disse que este ano o instituto implantou um sistema de recepção melhor do que o do ano passado. No entanto, segundo ele, o aumento da detecção de queimadas não pode estar associada exclusivamente ao equipamento mais preciso.
O chefe da Divisão de Satélites Ambientais do Inpe, Sérgio Pereira, afirmou que o aumento de queimadas pode estar associado, além dos aspectos naturais, a um possível aumento de pessoas no campo. ‘‘A moeda mais forte leva mais gente para o campo e, com isso, aumenta o risco de queimadas’’, disse Pereira. Segundo ele, o Inpe aumentou a intensidade da monitorização por satélite para evitar que focos de incêndio cheguem próximos de florestas, que passem mais de um dia queimando e que invadam áreas com baixo índice de chuvas ou com ventos fortes. Para Alberto Setzer, a forma de combater os focos crescentes é aumentar a fiscalização de queimadas irregulares.

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