País registra 7,5 mil novos casos de Aids
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quarta-feira, 30 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
Mulheres, jovens e pobres são hoje os grupos mais vulneráveis à Aids. O perfil da epidemia foi traçado ontem pelo coordenador do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e (DST/Aids), Pedro Chequer, durante o anúncio do registro de mais 7.552 casos, de abril a junho, elevando para 110.872 o número total de pessoas contaminadas pelo vírus HIV desde 1980.
Chequer revelou que as populações de baixa renda preocupam especialmente o governo por elas não terem acesso a informações. Têm também dificuldade em assimilar campanhas de prevenção. Os cuidados contra a doença, disse, não fazem parte do seu dia-a-dia. Para esse grupo, o mais importante é resolver problemas como alimentação e emprego, observou o coordenador. Por isso, a partir de agosto, no Rio de Janeiro, serão distribuídas junto com as cestas, 20 mil camisinhas. É uma experiência-piloto que deverá ser estendida a outros Estados.
A vigilância epidemiológica do ministério identificou a tendência de disseminação da Aids entre populações mais carentes a partir de dados sobre a escolaridade dos contaminados. Dos casos registrados nos últimos 17 anos, há 5% de analfabetos, 59% com o 1º grau, 22% no 2º grau e 14% com curso superior. Estudo feito em São Paulo confirma a avaliação. Na década de 80, era mais comum o registro de casos entre os moradores dos Jardins, área nobre na capital paulista. A partir de então, os casos estão explodindo mais na periferia. A incidência da doença em populações mais pobres segue tendência mundial. Estima-se que, no ano 2000, mais de 90% dos doentes de Aids estarão no Terceiro Mundo.
Os casos entre as populações de baixa renda vêm crescendo à medida em que a doença deixou de ter os homossexuais como o grupo de maior risco (80% dos casos em 1983 para 25% em 1995), ou seja, desde a ocorrência maior do contágio de heterossexuais (de 6,9% em 1990, subiu para 28,1% em 1995).
A transmissão da doença ainda ocorre com maior frequência por meio de relação sexual (54%, nos últimos três anos, contra 22% da transmissão sanguínea e 19% por uso de seringas contaminadas). Mas, entre os heterossexuais, tem baixado a faixa etária dos doentes. No período de 1983 a 1985, a média de idade dos contaminados pelo vírus era de 46 anos. De 1994 a 1997, a média caiu para 34 anos.
Os usuários de drogas injetáveis são os que mais se contaminam por meio de transmissão sanguínea. Mas há nos últimos três ou quatro anos, segundo Pedro Chequer, um percentual residual de casos de doentes contaminados por transfusão de sangue. Para ele, isso é inadmissível porque revela que o controle de sangue no País é falho. O problema ocorre, segundo ele, principalmente em cidades de pequeno e médio portes. De 96 para cá, 437 pessoas foram contaminadas em transfusões. A epidemia também vem vitimando mais mulheres. De 1983 a 1985, havia uma mulher contaminada para cada grupo de 28 homens. A proporção caiu de 3 pra 1, entre 1994 a 1997. Entre as crianças menores de 13 anos, a proporção é de 1 para 1. As mulheres mais atingidas pela Aids se encontram em idade fértil, na faixa etária de 15 a 39 anos (72%).
Para Pedro Chequer, o aumento de casos entre mulheres é uma das principais causas do crescimento de casos entre crianças. Nos primeiros anos da década de 80, apenas 32 crianças tinham sido contaminadas e, nos últimos três anos, foram registrados 1.744 casos. Segundo ele, 86,5% dos menores de 13 anos contraíram o HIV diretamente da mãe, durante a gravidez ou no aleitamento.
A transmissão de mãe para filho tem diminuído com o uso do AZT. Chequer diz que o governo tem AZT armazenado para atender as gestantes, bastando apenas que estados e municípios façam uma melhor notificação do número delas para que o remédio seja distribuído de forma equilibrada.


