País quer fazer pesquisa sobre vacina
Pesquisadores pensam em criar canais com institutos internacionais para o desenvolvimento de vacina
Agência Folha
Arquivo FolhaProjetoAinda neste ano Brasil pode montar laboratório para participar da produção de vacina anti-AidsO Brasil pode começar a montar ainda neste ano um laboratório especial para participar da produção de uma vacina anti-Aids. O projeto deverá ser discutido no segundo semestre por pesquisadores paulistas, técnicos do Ministério da Saúde e agências de financiamento. ‘‘A idéia é tentar acabar com o hiato que existe no Brasil em relação a vacinas. Ainda temos tecnologia do século passado , disse José da Rocha Carvalheiro, diretor do Instituto de Saúde.
O objetivo dessa reunião é formar um grupo de pesquisadores e fazer com que esse laboratório seja capaz de interagir com centros de pesquisas internacionais - já que a possibilidade de produzir uma vacina totalmente nacional é vista como quase nula.
A vantagem da criação de um laboratório no Brasil é que, com ele, será possível investir mais na pesquisa dos subtipos do vírus HIV - que causa a Aids - existentes no País. Se um dia existir uma vacina eficaz, ela não valerá para todo o mundo. Como há diferentes subtipos do vírus, diferentes vacinas terão de ser produzidas.
O projeto ganhou força por causa da empolgação norte-americana - o presidente Bill Clinton prometeu o desenvolvimento de uma vacina em dez anos - e da disponibilidade de recursos de agências internacionais. Mesmo que não seja capaz - a curto prazo - de participar diretamente das pesquisas, a idéia é que esse grupo comece a organizar grupos de voluntários para testar possíveis vacinas.
No Brasil, há três grupos (São Paulo, Minas e Rio) que são acompanhados para participar de um eventual teste. O laboratório, diz Carvalheiro, poderia funcionar ou no Instituto Adolfo Lutz ou na Fiocruz. Os dois institutos teriam condições de desenvolver esse tipo de pesquisa.
No mundo, os testes de vacinas em humanos são recentes e polêmicos. A maior reação contrária foi decorrente de um teste feito nos EUA, em 94. Em vez de proteger, a suposta vacina facilitou o processo de entrada do vírus no organismo. Isso gerou uma reação contrária a testes de vacinas. Mas diante de quadros como o de países pobres como Botsuana - onde 45% da população está infectada - as pesquisas de vacinas voltaram a ganhar força.
Dois testes de candidatos a vacinas em pessoas estão previstos para 1999. No Senegal, um protótipo vai ser aplicado em recém-nascidos e, na Tailândia, em adultos. O protótipo usado nesses dois países é produzido nos EUA e feito a partir da criação de proteína sintética semelhante a uma do HIV. Essa proteína é introduzida no organismo que, teoricamente, desenvolve proteção contra o vírus. No caso de contaminação com o verdadeiro vírus, o paciente não desenvolve a infecção.

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