Ibiporã - A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no último dia 8 epidemia de ebola na África Ocidental como emergência pública sanitária internacional. O último levantamento divulgado mostrou que, desde o começo do surto de ebola na região, 1.779 casos da doença foram registrados e 961 mortes ocorreram em quatro países: Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa e Nigéria. O país que concentra o maior número de casos é Serra Leoa, com 717 registros, seguido da Libéria, com 554. Em seguida vêm Guiné-Conacri, com 495 casos, e Nigéria, com 13. Este dispositivo de emergência é o terceiro da OMS depois do decretado em 2009 pela epidemia de gripe aviária na Ásia, e, em maio, pelo desenvolvimento da poliomielite no Oriente Médio.
Com uma fronteira de 386 quilômetros de extensão com Guiné-Conacri, onde o surto começou, Guiné Bissau ainda não foi afetada. No mesmo dia em que foi decretada emergência pública, o primeiro ministro, Domingos Simões Pereira, afirmou que o país não pode acreditar que não corre riscos com o vírus do ebola nos países vizinhos. Segundo ele, é preciso reforçar a vigilância e sensibilizar a população. Para isso, anunciou que irá executar um plano de contingência contra o vírus, estimado em 600 mil euros.
Conhecida como uma das congregações que mais enviam missionários à Guiné-Bissau, o Pontifício Instituto das Missões Exteriores (Pime), que possui uma sede em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), conta com dezenas de brasileiros no país atualmente. Ao todo são 54 missionários (44 irmãs, cinco leigos e cinco padres de várias congregações e institutos, entre eles, o Pime). Segundo o bispo missionário da Diocese de Bafatá, d. Pedro Zilli, criado na cidade de Ibiporã, a região mais próxima da abrangência da diocese está a apenas 20 quilômetros da fronteira. "Moro em Bafatá, a 100 quilômetros de distância de Guiné-Conacri. Mesmo assim, há uma preocupação muito grande com relação à doença. Porém, a situação aqui está relativamente tranquila", garantiu. De acordo com o bispo, não há nenhum integrante do Pime nos quatro países em que já foram registrados casos e mortes.
Prestes a completar 30 anos de moradia no país, onde foi trabalhar como missionário e foi ordenado bispo em 2001, d. Zilli comenta que, apesar da tranquilidade aparente, o clima em Guiné Bissau é de alerta, ainda que o comportamento da população não tenha sofrido grandes alterações.
"Informações não faltam, vindas principalmente pelo rádio, mas ações efetivas não se concretizaram. Também não recebemos nenhuma medida preventiva ou medicamento do governo. O perigo existe e, se for necessário, a Igreja participará destas iniciativas com seus hospitais, centros de saúde etc. Há preocupação e nem poderia ser diferente. Mas, a vida continua normal. Não há nenhuma restrição no que se refere a viajar pelo país, entrar e sair da Guiné", disse, acrescentando que, pela proximidade com a fronteira, o medo é que não haja controle da circulação de pessoas infectadas.
Enquanto nenhum caso aparece no país, conforme ele, outras doenças continuam sendo o foco das ações de trabalho das organizações de saúde. "Chove muito nesta época do ano e os casos de cólera aumentam. Há, também, os casos de malária, muito comuns e que causam muitas mortes constantemente. Não podemos descuidar dessas doenças, mas, apesar de não termos casos de ebola aqui, também não podemos nos considerar livres do vírus", afirmou. Segundo o bispo, as missões continuam acontecendo da mesma forma e o Pime não cancelou os programas de envio de missionários.(Com Agências)

Imagem ilustrativa da imagem País que recebe paranaenses está em alerta