Londrina - Pais de estudantes da Escola Estadual Lúcia Barros Lisboa, no Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte de Londrina) se reuniram ontem para protestar contra o 'jeitinho' que foi dado para seus filhos estudarem. Como a escola, de 14 salas, não tem mais vagas o jeito foi criar um horário intermediário: das 16 às 19 horas durante a semana e no sábado das 7 às 11 horas.
Isso é que o cerca de 200 estudantes, maioria de 13 anos, terão que suportar durante esse ano letivo. ''Eu sei que não estão muitos pais aqui (no protesto), pois a maioria está trabalhando. Mas é ridículo colocarem um horário desses'', afirmou a dona de casa Claúdia Cavalcanti, que organizou a manifestação.
''Ainda está no Horário de Verão, mas daqui a pouco às 19 horas vai estar escuro. Eu, por exemplo, posso pegar meu filho na escola, mas outros não. O bairro aqui é perigoso'', alertou.
Para que ocorra aula das 16 às 19 horas, o turno normal da tarde, que seria das 13 às 17 horas, foi remanejado para outro horário: das 11 às 15h40. ''Como vou fazer almoço para o meu filho se trabalho? Criança mal come no horário normal, como vai almoçar antes das 11 horas? Hoje meu filho só teve duas aulas. Tem professor que não está concordando com isso'', disse a promotora de vendas Tereza Meneghini, mãe de uma criança de 12 anos.
Faz quatro anos que a escola Lúcia Barros Lisboa funciona com horários alternativos. ''Prometeram que iam construir salas. Esse horário era para ser provisório, mas já faz tempo que está assim'', lamentou a costureira Maria Regina de Souza.
O secretário de Educação do Paraná, Flávio Arns, comentou sobre a situação na escola. ''De fato o que acontecia neste colégio eram cinco turnos. Este ano passou a quatro. O que não é adequado ainda. Vamos corrigir isso, mas a comunidade tem que ter paciência'', prometeu.
Segundo a presidente do Conselho Tutelar da Região Norte, Leoni Alves Garcia, ontem cerca de 30 famílias procuraram o Conselho. ''Vinte e cinco estavam atrás de vagas em escolas. Até o final do mês deve chover gente aqui por conta disso. A educação pública é um direito, mas os pais tem que implorar para que os filhos tenham educação'', comentou.

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