Brasília, 21 (AE) - No próximo ano, o Brasil estará menos dependente do capital externo. Para financiar suas contas com o exterior, o País vai precisar de US$ 53 bilhões, US$ 13 bilhões a menos que o total deste ano. Os números foram informados hoje pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo.
Dos US$ 53 bilhões previstos para o ano 2000, US$ 34 bilhões serão necessários para a amortização de dívidas contraídas pelos setores público e privado. A diferença de US$ 19 bilhões refere-se à estimativa para o déficit em transações correntes (conta de comércio e serviços do país com o exterior) do ano. Amadeo não quis especificar quanto será pago em juros, valor que consta da conta de serviços.
Com a concentração de vencimentos de dívidas este ano, o total de amortizações é de US$ 45 bilhões, sendo que US$ 27 bilhões foram pagos no primeiro semestre e o restante vence até o final do ano. Com a expectativa de que o déficit em transações correntes fique em US$ 21 bilhões, a necessidade total chega aos US$ 66 bilhões.
Amadeo acrescentou, no entanto, que o governo trabalha com a estimativa de que os investimentos diretos totalizarão US$ 23 bilhões este ano. "Serão mais que suficientes para financiar o déficit em transações correntes", garantiu. No primeiro semestre do ano, a média mensal dos investimentos diretos foi de US$ 1,5 bilhão sem incluir os recursos destinados à privatização.
O secretário lembrou que nos meses mais agudos da crise após a desvalorização cambial, a média foi mantida. "A tendência é que continue", afirmou lembrando que este investidor externo sempre avalia o país considerando um prazo maior. "Eles pensam em cinco anos ou mais", destacou.
Argentina - Na opinião de Amadeo, as eleições na Argentina em outubro podem ter um impacto no fluxo de recursos externos para o país e demais emergentes. Ele admitiu que o Brasil poderá sofrer algum reflexo momentâneo desta retração, mas nada que preocupe.
Pois mesmo na Argentina o impacto não deverá ser grande. "Eles já passaram por quatro crises e a economia resistiu", lembrou o secretário referindo-se às crises do México, da ásia, da Rússia e do Brasil.Por Soraya de Alencar e Lu Aiko Otta ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca contém informações que já seguiram em CONTAS PÚBLICAS/BOLETIM.

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