Brasília, 9 (AE) - Governo e iniciativa privada terão de investir, em média, R$ 8 bilhões anuais até o ano 2008 para garantir o fornecimento de energia elétrica à população. Os cálculos são do novo secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia, Benedito Carraro. "O consumo vai aumentar 43 mil megawatts em dez anos", justificou hoje o secretário, durante o seminário "Energia, Recursos Hídricos e Meio Ambiente - Alternativa e Sustentabilidade", promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Pelos cálculos de Carraro, do total de investimentos necessários, entre 50% a 60% deverão ser desembolsados pela iniciativa privada. O dinheiro, disse o secretário, já está assegurado dentro do cronograma de investimentos previstos nos processos de privatização. Já a parte que caberá à Eletrobrás depende de previsão orçamentária. "Para este ano, a verba está garantida", informou.
A maior parte dos investimentos para melhoria da geração de energia elétrica continuará a ser feita em hidrelétricas. "É alternativa que apresenta o menor custo", comentou Carraro, referindo-se aos 260 mil megawatts de potencial dos recursos hídricos em geração de energia elétrica do País.
Atualmente, segundo ele, apenas 24% desse potencial são aproveitados para produção de energia. E, mesmo assim, as hidrelétricas são a principal fonte de geração de energia, representando 97%.
Carraro ressaltou, no entanto, que faz parte dos planos do governo elevar a 18% a participação de termelétricas - movidas a gás natural, carvão e energia nuclear - na geração de energia elétrica até 2008. Assim, as hidrelétricas passariam a atender 82% da demanda. Mas o País é pobre nessas alternativas. Segundo o secretário, o Brasil possui, por exemplo, apenas 227 bilhões de metros cúbicos de gás natural.
As termelétricas são "fonte atrativa para os investidores", avalia o superintendente dos Estudos e Informações Hidrográficas da Aneel, Marcos Aurélio Vasconcelos de Freitas, um dos organizadores do livro "O Estado das águas no Brasil - 1999", lançado hoje durante o seminário.
Em um trecho do livro, Freitas observa que se cria "uma polêmica nas perspectivas futuras das fontes energéticas: hídricas, devido à abundância; ou térmica, devido ao retorno do capital a curto prazo".

mockup