País precisa investir R$ 33 bi em energia nos próximos 4 anos
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Márcia de Chiara e Rodney Vergili 
São Paulo, 21 (AE) - O País precisa investir R$ 33 bilhões nos próximos quatro anos na geração, distribuição e transmissão de energia elétrica para atender o consumo da população, que tem crescido a taxas superiores à variação do Produto Interno Bruto (PIB). A meta do governo é, até o ano 2002
ampliar em 40% a capacidade de geração de energia, atualmente de 62,2 mil megawatts. Os recursos para aumentar a disponibilidade de energia elétrica deverão vir da iniciativa privada e serão direcionados especialmente para as usinas termoelétricas.
A previsão é do ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho Neto, que esteve hoje em São Paulo, na sede da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), para relatar aos empresários os programas de investimentos e as oportunidades de negócios no setor de energia.
"O sistema elétrico ainda está vulnerável e nós temos de tomar cuidado", disse Tourinho, ressaltando, porém, que não deverão ocorrer problemas de abastecimento neste ano. A fragilidade do sistema, argumentou, resulta da falta de investimentos.
O governo, segundo ele, não tem dinheiro disponível para bancar os investimentos e o processo de ampliação da oferta de energia elétrica deverá ser comandado pela iniciativa privada.
Diante da vulnerabilidade do sistema, o ministro contou que, a partir de 1º de julho, o governo vai iniciar uma campanha ensinando a população usar a energia de forma mais racional, especialmente nos horários de pico, quando a eletricidade é mais cara. A campanha dá também o dicas para economizar água, uma vez 91,2% da energia elétrica produzida no País é obtida nas hidrelétricas e apenas 7,7% nas termoelétricas. "Mas esse modelo de geração vai se inverter", previu o ministro.
"Vamos intensificar um grande programa de termoelétricas", afirmou Tourinho. Ele destacou que, a usina termoelétrica é um sistema mais favorável que o da usina hidrelétrica pela quantidade e pela qualidade de energia gerada. É que as termoelétricas localizam-se próximas aos centros de consumo. Com isso, a eletricidade não tem de ser transportada a longa distâncias e não se corre o risco de acidentes na transmissão.
Atualmente, já está acertada a construção de 12 usinas termoelétricas no País. No estado de São Paulo serão três grandes usinas, três no Rio de Janeiro, uma na Bahia - cujas obras a serão iniciadas em agosto - , outra em Pernambuco e mais uma no Paraná, com participação majoritária do capital privado. Só nas dez primeiras usinas, serão gastos US$ 2 bilhões neste ano para gerar 4 mil megawtts.
Minerais - Hoje o ministro anunciou que pretende transformar o Departamento Nacional de Produção Mineral numa agência reguladora do setor, com funções semelhantes às agências já existentes nos setores de telecomunicações e petróleo. Também a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais será transformada numa empresa prestadora de serviços geológicos. Em 30 ou 60 dias será enviado ao Congresso Nacional o projeto propondo as mudanças.
Essas empresas não dependerão dos recursos do Tesouro e a idéia é que se dê um grande dinamismo para a área mineral.
Nacionalização - O ministro de Minas e Energia disse que vai avaliar o fato de as empresas que venceram as concessões na semana passada para exploração de petróleo de usar, em média, 26% de equipamentos produzidos pela indústria nacional. Mas, na opinião de Tourinho, esse porcentual não está tão distante do índice de nacionalização de 40% pleitado pela indústria nacional
por meio da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que alega ter hoje ociosidade de 35% da capacidade instalada.
Ele recomendou aos empresários do setor de máquinas que façam feiras e exponham seus podutos e componentes para capturar os investimentos estrangeiros. Tourinho disse que vai avaliar também com a Agência Nacional de Petróleo (ANP) medidas para os próximos leilões no setor petrolífero com o objetivo de aumentar o interesse pelas áreas terrestres, que não tiveram procura no leilão da semana passada.
O ministro afirmou que não há expectativa de novas licitações para este ano. Tourinho ponderou que o assunto está sendo avaliado pela ANP e que, se houver licitações, elas serão de pequenas áreas.
Quanto à participação da Petrobrás nos leilões, o ministro disse que é a favor. "Ela tem de participar, ela é uma empresa de petróleo como a Esso, a Shell, e vai ter de lutar com as mesmas armas aqui e lá fora."
Justificou que a empresa tem uma estrutura a ser mantida e precisa buscar novas áreas de petróleo para continuar compertitiva. Isso porque maioria das suas áreas para pesquisar petróleo acaba em três anos.


