País precisa definir política
Londrina - De acordo com Araci Asinelli, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a droga ''é um produto do capital, do capitalismo''. ''É um produto pensado, que oferece prazer. Não é um subproduto da pobreza'', comenta.
Ela garante que o caminho para a redução do mercado de entorpecentes não é dos mais complicados. Basta, aponta ela, ''reduzir a demanda e a oferta da droga''. ''Não temos, no entanto, cultura e interesse real em solucionar o problema'', lamenta, indicando que o próprio dinheiro do tráfico pode estar por trás da ausência de medidas eficientes para redução do mercado ilícito da droga.
Ela acrescenta que para reduzir o mercado de consumidores de drogas é necessário investir em prevenção. ''Hoje não temos (prevenção). O que tem é um engodo. São palestras pontuais e que não dão resultado. É preciso ter ações sistemáticas. A única exceção é o Proerd (Programa Educacional de Resistências às Drogas). Pesquisas confirmam que crianças que passaram pelo programa estão mais protegidas das drogas. Mesmo assim não há número de policiais militares suficiente para atender todas as escolas'', afirma.
Araci alerta que a prevenção não pode ficar restrita às escolas. Outra saída seria a oferta de outras ''fontes de prazer''. ''As pessoas não buscam droga para morrer, mas como mecanismo de prazer. É por isso que mecanismos que ampliem acesso ao prazer, seja esporte, cultura, entre outros, são importantes.''
Araci considera essencial que o País defina uma política em relação às drogas. ''Tem gente do alto escalão, como (o ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso, defendendo a descriminalização e gente do mesmo nível defendendo que não pode descriminalizar. O País precisa discutir e definir uma política, para tomar medidas'', reivindica.(D.B.)





