País precisa de aval externo imediato, diz Bernardini
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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 01 (AE) - O governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) precisam reavaliar rapidamente as metas estabelecidas no acordo firmado no último mês de novembro, para que o País tente recuperar sua credibilidade internacional. A confirmação de um aval do FMI implicaria na disponibilização de recursos, independentemente das metas imediatas, caso necessário.
A avaliação é do empresário Mário Bernardini, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que considera insuficiente a liberação dos recursos, previstos pelo acordo, em "tranches", já que a próxima, a partir do cumprimento das metas previstas, é de cerca de US$ 9 bilhões. "O mercado internacional precisa ter um horizonte de médio e longo prazos", afirmou Bernardini.
"A pior coisa é a incerteza", disse o empresário. Segundo ele, é necessário que comece a ocorrer uma estabilização do real frente ao dólar nos próximos dez ou quinze dias. Mesmo que seja apenas uma sinalização de queda, desde que firme, a cotação precisa cair neste período. Sua expectativa é de que o dólar fique em cerca de R$ 1,60.
Se isso acontecer, o governo não correrá o risco de enfrentar uma escalada inflacionária, apenas inflação de um dígito. O governo, de acordo com Bernardini, precisa administrar os preços públicos para evitar a alta dos preços. Ele considerou "lamentável" a decisão de aumentar, a partir de hoje, o preço da gasolina em 3,5%.
De acordo com Bernardini, é fundamental que o governo anuncie rapidamente uma segunda rodadas das reformas fiscal e da Previdência, para reduzir o déficit público. A partir do aval externo e da continuidade do ajuste fiscal, o governo teria condições de reduzir "drasticamente" os juros. Sobre a hipótese de uma política monetária "austera", como vem pregando o FMI, ele é taxativo: "É dar um tiro no pé". Juros altos significariam inadimplência.
A possibilidade do governo acelerar o ritmo das privatizações, incluindo até a Petrobrás, não encontra apoio do diretor da Fiesp. "Vender o patrimônio do País agora, além de ineficiente, é irresponsabilidade", afirmou. Embora ele concorde com a venda da Petrobrás, Bernardini acha que a venda não pode ser feita para o pagamento de juros, mas, no futuro, para abater a dívida.
Ao centrar sua atenção na política macroeconômica, o governo estaria descuidando da microeconomia, segundo Bernardini. "Os negócios estão paralisados; os faturamentos estão despencando. Ou vamos ter uma moratória branca ou uma quebradeira das empresas", disse o diretor da Fiesp. Se os juros continuarem altos por mais um mês, a perspectiva dos empresários é a pior possível, segundo a avaliação de Bernardini.


