Londrina - O pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Políticas Educacionais do Departamento de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ângelo Ricardo de Souza, celebrou o fato de que nunca se falou tanto em educação, que houve avanços significativos na última década, mas advertiu que o Brasil ainda precisa dar um ''salto de qualidade revolucionário'' se quiser garantir ensino a todos com qualidade de país desenvolvido.
Com relação à pesquisa realizada pelo Ipea, o professor comentou que trabalhos como este, que medem a opinião da população, são importantes, mas podem refletir, em grande parte, o marketing oficial do governo sobre o tema. Ele observou que nunca se discutiu tanto educação como atualmente.
''Significativamente, também houve ampliação em nível nacional de políticas públicas para educação envolvendo a participação da sociedade'', emendou, citando, o Plano de Ação Articulada - assinaturas de mais de 5 mil convênios com entes privados - e a Conferência Nacional de Educação - realizada entre 2009 e meados de 2010 -, que mobilizou cerca de meio milhão de profissionais para elaboração do novo Plano Nacional de Educação.
Souza afirmou também que houve melhoria da gestão e que os indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) demonstram melhorias - passou de 3,8 em 2007 para 4,6 em 2010 e tem a meta de chegar a 6 - como os países desenvolvidos - em 2022. Outro aspecto positivo citado pelo pesquisador é que a quantidade de investimentos aumentou, e muito, e a qualidade e fiscalização dos gastos também, sobretudo pela atuação dos Tribunais de Contas.
Apontou ainda que o País tem desafios enormes pela frente. ''Temos um desafio que nunca tivemos: a boa escola pública dos anos 1950 era de fato boa, mas era para uma minoria. Nosso desafio é fazer com que a escola pública para todos seja, de fato, para todos e que lá eles permaneçam e aprendam. Temos que dar um salto de qualidade revolucionário e investir pesado no trabalhador docente em todos os níveis e nas condições salariais.''
Souza citou que, além da valorização do professor, é preciso investir também na educação infantil. A principal meta é ampliar a oferta de vagas. Nas etapas seguintes, é necessário rever a concepção dos ensinos básico e médio, readequando as séries às necessidades dos alunos. Por fim, ele destacou que há desafios também no ensino profissionalizante, que precisa de mais investimentos em áreas que, de fato, permitam o ingresso dos jovens no mercado de trabalho de forma eficiente.(Luciano Augusto/Reportagem Local)

mockup