País pode viver caos com bug do milênio, alerta secretária da Administração
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 07 (AE) - O País poderá viver um verdadeiro caos na passagem do milênio, caso as três esferas de governo - federal, estadual e municipal - não estejam preparadas para enfrentar o bug do milênio, alertou, hoje, a secretária de Administração e Patrimônio, Cláudia Costin. Como exemplo de uma situação caótica, a secretária citou a possibilidade de pane no sistema de controle de tráfego das grandes cidades, interrupção do abastecimento de água e luz à população. Também corre risco o atendimento de alta complexidade do sistema hospitalar.
"Poderemos ter o bug das ações judiciais", afirmou a secretária para uma seleta platéia composta por técnicos do governo e de países latino-americanos, participantes do seminário internacional sobre o assunto, realizado no auditório do Banco Central (BC), em Brasília. Como exemplo extremo, Cláudia Costin questionou de quem será a culpa se um paciente chegar a morrer num hospital por conta da inadequação do sistema computadorizado de atendimento ao bug do milênio. "A população acionará quem, o dono do hospital, o Estado, o município?", questionou Costin.
A preocupação demonstrada pela secretária com relação aos problemas que poderão ocorrer na passagem do milênio é devido aos atrasos e à falta de preparação verificada com relação aos municípios e alguns Estados. Cláudia Costin explicou que não adiantará muito o governo federal estar preparado para enfrentar o bug do milênio, se mesma coisa não acontecer com Estados e municípios. "O cenário é muito interligado, seja dentro ou fora do País", afirmou. "Teremos problemas sim", admitiu. Telefonia - Para Cláudia Costin, o que o Brasil viveu nos últimos dias com relação à telefonia pode ser apenas uma pequena amostra do que se poderá viver no bug do milênio. Isso porque, segundo a secretária, muitos dos serviços essenciais à população estão informatizados e a cargo de Estados e municípios. Se nada for feito poderão simplesmente desaparecer, por exemplo, os registros dos alunos da rede pública, os prontuários dos pacientes da rede hospitalar e os registros referentes à segurança pública, incluindo os da população carcerária.
De acordo com a secretária da Administração, o governo federal vem mantendo contatos semanais com os Estados, alertando-os dos problemas que poderão ocorrer e cobrando providências. Mesma coisa vem sendo feita em relação aos municípios, especialmente os com população superior a 100 mil habitantes. "Todos já receberam correspondência e estão cientes do perigo", disse a secretária, que fez um apelo à população para que cobre dos prefeitos e governadores as providências com relação ao Plano de Adequação ao Bug do Milênio. Estados - Cláudia Costin contou que, entre os Estados, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro estão com bons planos de adequação ao bug do milênio. Mesma coisa não ocorre, no entanto, com Minas Gerais e o Distrito Federal. Na esfera Federal, o atraso está por conta do Ministério da Agricultura, um forte candidato, segundo a secretária, ao Plano de Contingência, que será dirigido pelo Ministério da Defesa. Este plano, disse, tem o objetivo emergencial de garantir a não paralisação dos serviços essenciais à população por causa dos problemas do bug do milênio.
Cláudia Costin lembrou que até mesmo a inadequação de outros países ao Bug do Milênio poderá afetar o Brasil. "Já conseguimos testar o funcionamento de todos os aeroportos da Infraero", afirmou. O teste, no entanto, não evitará problemas se o avião de um outro país, não preparado, estiver no espaço aéreo brasileiro para pousar. A Secretaria de Administração e Patrimônio não dispõe de informações sobre os preparativos nos aeroportos pertencentes aos governos estaduais.


