País pode ter educação a distância
Agência Estado
De Brasília
O Ministério da Educação (MEC) quer criar um programa de ensino a distância para o ensino médio (antigo 2.º grau), com formato semelhante ao do Telecurso 2000 da Fundação Roberto Marinho. O objetivo é suprir a falta de professores em disciplinas como física, química, biologia e matemática. Experiências desse tipo tiveram êxito em muitos países, disse ontem o ministro Paulo Renato Souza, citando o México como exemplo.
A idéia é que a programa de educação a distância, transmitido pela TV ou por fitas de videocassete, seja usado como complemento do ensino presencial, em que há um professor na sala de aula. Assim, numa escola rural onde faltam profissionais da área de exatas, por exemplo, o professor de português poderia atuar como monitor e as outras aulas seriam ministradas via TV.
Temos de pensar na teleducação para expandir o ensino médio, afirmou Paulo Renato. Segundo ele, o Brasil não conta com professores em número suficiente e a qualificação exigida para atender à crescente demanda pelo 2.º grau. Só de 1994 a 1998, a matrícula aumentou 37%, atingindo 6,9 milhões de estudantes no ano passado.
A proposta tem o apoio do presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Éfrem Maranhão. Para ele, o País deve recorrer às novas tecnologias para suprir suas carências na formação de professores e ampliar a oferta de vagas no ensino médio.
A partir de 2001, a Fundação Roberto Marinho deverá ter concluído a produção de um curso de ensino médio completo, para ser transmitido por TV. A carga horária será quatro vezes maior do que as 900 horas do atual Telecurso 2000, oferecido como curso supletivo.
Segundo o superintendente de Teleducação da fundação,
Hugo Barreto, os Estados de São Paulo e Maranhão já estão recorrendo ao Telecurso 2000 para complementar o ensino de 2.º grau. No ano que vem, a fundação deverá iniciar experiências com um programa voltado já para o 2º grau, mas apenas com as disciplinas da área de exatas.
A Fundação Roberto Marinho assinou ontem convênio com o MEC, comprometendo-se a conceder à embaixada e aos consulados do Brasil no Japão material didático do Telecurso 2000. Assim, os cerca de 29 mil brasileiros de 5 a 19 anos que vivem naquele país sem estar matriculados nas escolas locais terão material de apoio para estudar. O programa já é transmitido por uma emissora japonesa. Em novembro, o governo brasileiro realizará exames supletivos no Japão.





