País perde controle de doenças como malária e leishmaniose
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sábado, 08 de julho de 2000
Luciana Miranda Agência Estado De São Paulo 
O governo não está conseguindo controlar doenças como malária e leishmaniose. Se não forem tratadas a tempo, ambas matam. Uma das formas de leishmaniose, a tegumentar (que provoca feridas na pele), pode deformar o nariz e cegar. O número de casos de malária no País cresceu 34% de 1998 para o ano passado. No caso da leishmaniose visceral (que causa danos ao baço e ao fígado), o número de casos quase dobrou no mesmo período, chegando a aumentar 82%. A forma tegumentar da doença aumentou 40% também entre 1998 e 1999.
Movimentos migratórios e ocupação desorganizada de áreas próximas às florestas são apontados por especialistas como fatores fundamentais que permitem a disseminação da malária e da leishmaniose. Para Marcos Boulos, diretor do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), antes de explorar qualquer área de regiões endêmicas onde há casos numerosos e frequentes de determinada doença um grupo de técnicos e especialistas deveria averiguar quais as ações necessárias para evitar a disseminação da doença.
A Fundação Nacional de Sa© úde (Funasa) é o órgão responsável por esse controle. Isso nunca foi feito, alerta Boulos. Falta programação, a Funasa está desaparecendo, remetendo essas responsabilidades para os municípios. Mas nem todos os municípios têm condições técnicas e recursos humanos para controlar doenças como a malária.
O descontrole dessas duas doenças já é reconhecido pelo próprio Ministério da Saúde. Na semana passada, o ministro José Serra anunciou o Plano de Intensificação das Ações de Controle da Malária na Amazônia Legal (Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará, Mato Grosso, Maranhão, Amapá e Tocantins). Na semana retrasada, a Funasa começou a organizar reuniões com especialistas para modificar as ações de controle da leishmaniose. As conclusões devem sair apenas no fim do ano.
O biólogo Delsio Natal, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, explica que o controle da quantidade de mosquitos anofelinos na região amazônica área de risco no Brasil é praticamente impossível. O inseto é nativo da mata. Por isso, outras medidas são necessárias para controlar a malária. Como a transmissão da doença ocorre principalmente à noite e dentro de casa, mudanças simples nas condições de moradia já são um bom começo. Telas em janelas e portas mantêm o mosquito do lado de fora. Mosquiteiros tecido com trama fina envolvendo camas e redes protegem as pessoas enquanto dormem.
A malária acompanha o desmatamento; a população de mosquitos explode nessas regiões. Natal defende a necessidade de projetos de desenvolvimento sustentável, capazes de melhorar a condição de vida das comunidades.


