São Paulo, 04 (AE) - Os pais de Anderson e de Paulo Roberto, dois dos três garotos que foram assassinados na Quarta- Feira de Cinzas, participavam de uma reunião na Assembléia Legislativa, em São Paulo, hoje à tarde. Era mais uma busca de ajuda na luta para encontrar os filhos desaparecidos desde então. Vanda Pereira dos Santos, mãe de Anderson, já não tinha esperanças. Maria da Conceição Cordeiro da Silva, mãe de Paulo Roberto, ainda acreditava que seu filho estava vivo. A notícia do encontro dos corpos atirou as duas em desespero.
Em crise nervosa, Maria da Conceição e Vanda foram atendidas no ambulatório da Assembléia. Em seguida, voltaram para São Vicente, para a difícil tarefa de fazer o reconhecimento dos corpos dos filhos. "Só queria que dissessem onde os jogaram, para acabar com essa agonia", desabafara Vanda, ainda na reunião. "Não há coração que aguente, quero meu filho custe o que custar, do jeito que estiver".
Sem conseguir trabalhar nem comer, Maria da Conceição contou que rezava todos os dias pela volta do filho. "Ainda acho que ele vai chegar", dizia. "Enquanto não achar meu filho não vou ter paz". Na casa desarrumada, ela disse que a filha, Simone, de 16 anos, andava de um lado para o outro repetindo que o irmão iria voltar. "Eu também acredito nisso".
Os deputados prometeram providências "imediatas" como pedir ao secretário da Segurança Pública maior rapidez na produção de provas técnicas. "É impossível que esse caso se arraste há tanto tempo sem um laudo do Instituto Médico-Legal", dizia o deputado Renato Simões (PT), presidente da comissão.

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