Pais pedem proteção para internos da Febem
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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Gláucia Leal 
São Paulo, 29 (AE) - Entre lágrimas, momentos de exaltação e apelos emocionados, um grupo de 50 mães e alguns pais de internos da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) de São Paulo, transferidos na semana passada para o Cadeião de Santo André, pediu que sejam tomadas providências para coibir a violência contra seus filhos. Eles reuniram-se hoje com promotores e procuradores do Estado. No sábado, 90 laudos médicos - de um total de 110, emitidos por peritos - atestaram que os jovens haviam sido agredidos dois dias antes.
Os adolescentes contaram que ao chegar ao cadeião, na quinta-feira, vindos do Complexo Tatuapé, foram agredidos pelos funcionários com pedaços de madeira, socos e pontapés.
"Já temos alguma indicação de agressores e estamos solicitando a abertura de inquérito policial para apurar o caso", afirmou a promotora Sueli Riviera, da Vara da Infância e da Juventude. De acordo com a promotoria, até a tarde de hoje a Febem nem sequer havia registrado boletim de ocorrência. A Assessoria de Imprensa do governo informou que "o diretor do cadeião, Anselmo Antônio Neto, foi afastado e o caso será apurado por meio de sindicância".
Trancados - Os pais, a maioria integrantes da Associação de Mães e Amigos de Adolescentes em Risco (Amar), reclamaram também das condições em que os jovens são mantidos: sem aulas ou atividades pedagógicas e presos em celas durante todo o tempo. "Esta situação é irregular e contraria totalmente o Estatuto da Criança e do Adolescente", disse o promotor Wilson Tafner.
Apesar disso, a Assessoria de Imprensa informou que a situação dos menores não deve ser alterada nos próximos dias. Tafner e os colegas da Vara da Infância questionam a manutenção da estrutura de violência dentro das unidades da Febem, apesar dos planos apresentados pelo governo. Há 15 dias, os promotores encaminharam uma solicitação para a realização de um mutirão. A proposta é analisar cerca de 800 processos de internos e avaliar se alguns desses jovens podem ser soltos.
"Meu menino já não aguenta mais, ele me disse que vai acabar com a vida se não sair daquele inferno", contou Ana de Souza, mãe de um adolescente de 17 anos, preso por assalto. Algumas mães também denunciaram que há monitores dependentes de álcool e drogas. "Sugerimos que seja feito um exame para comprovar isso", disse Vera Santos, mãe de um interno. O filho da auxiliar de limpeza Maria Sônia de Lira completa 18 anos amanhã (30). "Ele está com ferimentos na cabeça, nas costas e acho até que está com um braço quebrado", contou, chorando.


