País não está preparado para liberação comercial de transgênicos
diz nova presidente da SBPC
Porto Alegre, 13 (AE) - A professora Glaci Zancan, que assume amanhã (14) a presidência da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), afirmou hoje que o País não está preparado para a liberação comercial de alimentos transgênicos. De acordo com ela, a segurança da população para consumir esse tipo de produto é apenas "relativa", pois os testes desenvolvidos até agora consideraram apenas aspectos de produtividade das culturas.
Gaúcha de São Borja, doutora em bioquímica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Glaci Zancan disse que a decisão do Ministério da Agricultura de liberar o plantio comercial de cinco variedades de soja transgênica da Monsanto deveu-se a "compromissos políticos do governo federal". A medida está suspensa por decisão judicial e o Ministério do Meio Ambiente baixou portaria exigindo a realização de testes adicionais de impacto ambiental.
A SBPC, segundo a cientista, já pediu ao Congresso a imposição de um prazo de cinco anos até a liberação - com rotulagem - desse tipo de produto. Também solicitou a reformulação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), ampliando sua "abrangência científica". Como exemplo
citou a ausência de toxicologistas, nutricionistas e epidemiologistas. "A comissão deve envolver todas as ciências da vida porque daqui a pouco vão entrar os animais transgênicos e as terapias gênicas na área humana", afirmou. Erro - A proposta de Glaci prevê ainda que as comissões específicas da CTNBio sejam transformadas em "câmaras setoriais", com maior participação da sociedade civil. A nova presidente da SBPC também considerou um "erro" a decisão da CTNBio de aceitar, para a aprovação do plantio da soja transgênica, análises feitas pela própria Monsanto. A empresa, disse, é "parte interessada".
Conforme a pesquisadora, os cinco anos de prazo solicitados ao Congresso seriam destinados à realização de testes nas culturas transgênicas pela CTNBio com a estrutura ampliada. "Falta tudo", afirmou, que participou da elaboração da Lei de Biossegurança em 1989, com relação aos testes que ainda são necessários antes da liberação das sementes geneticamente modificadas no País.
Apesar da posição favorável da SBPC em relação à manutenção das pesquisas com produtos transgênicos, ela evitou críticas ao governo gaúcho, que pretende transformar o Estado em uma "área livre" de alimentos geneticamente modificados. "É uma atitude de precaução", avaliou. Segundo ela, o risco do Rio Grande do Sul é tornar-se dependente de poucos mercados consumidores para suas exportações. "A construção desses organismos é uma tendência poderosa que veio para ficar e deve ser usada cientificamente para garantir mais saúde para a população e maior controle ambiental" (Sérgio Bueno)





