O secretário de Assistência do Ministério da Saúde, Antônio Werneck, admitiu ontem que o Brasil não está livre de novas epidemias de sarampo. Segundo ele, a doença é de difícil controle em razão do alto grau de transmissão e a vacina anti-sarampo não garante total imunização uma vez que sua eficácia atinge 90%. No Estado de São Paulo, recentemente, foi registrado um surto de sarampo. Até o dia 12, foram notificados 2.488 doentes e seis mortes.
Segundo ele, em razão do que está ocorrendo em São Paulo, o ministério vai reforçar os trabalhos no Estado durante a campanha de multivacinação que acontece em todo País hoje. Os adolescentes com até 15 anos de idade também receberão a dose da vacina. Nas outras regiões, o alvo da campanha são as crianças com menos de cinco anos de idade.
Para realizar a campanha de hoje o Ministério da Saúde gastou R$ 25 milhões. A previsão é de que 18 milhões de pessoas sejam vacinadas contra a poliomelite, sarampo e tríplice (difteria, tétano e coqueluche) no País. Foram mobilizados 500 mil agentes e funcionários da Saúde para trabalhar nos 130.924 postos que ficarão abertos de 8 horas às 17 horas.
De acordo com o secretário de Assistência do Ministério, por causa da peculiariedade do sarampo, o órgão está concentrando esforços para permitir a redução do número de casos até a erradicação da doença. Em função dos registros de surtos e epidemias no País, serão realizadas campanhas de reforço. Para ele, os pais devem ficar atentos à características do sarampo. ‘‘Ela é um doença que fragiliza as pessoas, tornando-as sensíveis a contrair infecções respiratórias, como pneumonia, além de meningite’’.
Werneck explicou que a maior parte das vacinas não garante 100% de imunização. A vacina contra meningite meningocócica tipo B e C em crianças menores de dois anos de idade tem uma eficácia de apenas 50% e após os 2 anos atinge um grau de imunização entre 80% a 90%.
Segundo ele, para algumas enfermidades, a medicina conseguiu alcançar uma eficácia de 100%, como no caso da poliomelite. Em razão do sucesso dos produtos imunizantes contra a pólio e das campanhas do ministério, o governo brasileiro obteve, há cinco anos, da Organização Mundial de Saúde (OMS) o certificado de erradicação da doença. Em pronunciamento feito em cadeia de rádio e TV, o ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, ressaltou que apesar de já ter sido controlada no Brasil, a paralisia infantil ainda existe em outros países.

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