País não diminui concentração de renda
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quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O Brasil não conseguiu reduzir a concentração de renda de 1996 para 1997, interrompendo um processo de melhoria na distribuição iniciado em 1992 e que se acentuou após o plano Real. Isso pode indicar que os ganhos redistributivos da estabilização estão esgotados.
Em 10 anos, de 87 a 97, a parcela dos 10% mais pobres da população teve elevação de rendimentos mensais de R$ 32,00 para R$ 58,00 (81,2%), enquanto os 10% mais ricos expandiram seus rendimentos de R$ 2,102 mil para R$ 2,463 mil (17,17%). Em 97 a situação mudou. Os ganhos dos 10% mais pobres caíram 4,92% de 96 para 97, enquanto os dos 10% mais ricos diminuíram somente 1,32% de um ano para o outro.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1997, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o IBGE, o Índice de Gini para os ganhos com trabalho, um indicador internacional que, quanto mais próximo de 1,000 mais expressa concentração de renda, foi de 0,580 em 97, mesmo número de 96. Em 92 ele se situava em 0,600 e em 93, em 0,585.
Apesar da má notícia em relação à distribuição de renda, 1997 continuou registrando melhorias na qualidade de vida da população, conforme a PNAD. O número de moradias precárias (com paredes improvisadas) caiu de 1,829 milhão em 96 para 1,587 milhões em 97. Também subiu de 73,2, em 92, para 77,7 o porcentual de moradias servidas por rede geral de abastecimeno de água. Em 92, os domicílios ligados a algum tipo de rede coletora de esgoto sanitário eram 56,7% do total, porcentual que foi para 62,5% em 97. Além disso, 93,3% das habitações tinham iluminação elétrica no ano passado, porcentual que cinco anos antes era de 88,8%.
A PNAD confirmou o envelhecimento da população brasileira. O percentual de pessoas com menos de 18 anos de idade caiu de 40,1, em 92, para 37,5% em 97, como reflexo da queda de fertilidade. As pessoas com mais de 60 anos de idade já são 8,6% da população, ante 7,9% em 92, crescimento de cerca de 18% nesta faixa etária. O número de idosos no Brasil aumentou, no período, 2,6 milhões.
Os pesquisadores da PNAD visitaram 109,541 mil domicílios em todo o Brasil (menos área rural da região Norte), nos quais entrevistaram cerca de 340 mil pessoas, no mês de setembro do ano passado. Os dados apurados relativos a trabalho e rendimento foram coletados especificamente na última semana de setembro.


