País não define ofertas para negociar sobre barreiras, diz Camex
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quarta-feira, 21 de julho de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 22 (AE) - O Brasil está demorando muito a definir que tipo de concessões e vantagens vai oferecer em troca da queda de barreiras comerciais a produtos brasileiros no exterior. A crítica é do secretário-executivo da Câmara de Comércio (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, José Botafogo Gonçalves, que considera "perfeitamente viável" a meta de exportações anuais de US$ 100 bilhões, prevista para 2002, embora tenha admitido que, no primeiro semestre do ano, as "exportações tiveram uma performance medíocre".
Segundo ele, a constatação é verdadeira apenas "do ponto de vista aritmético" já que, na sua opinião, a concentração das importações em bens de capital e a redução da dependência interna a outros produtos estrangeiros compensam em parte o fraco resultado estatístico.
Botafogo, que participou hoje do lançamento do Prêmio Rio Export, iniciativa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), respondia diretamente a uma crítica do presidente da entidade, Eduardo Eugênio Govêa Vieira.
O empresário lembrara que estudos feitos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) demonstraram que o Brasil vem perdendo mercados em vários produtos e presença no comércio mundial.
"É um pouco infantil imaginar as barreiras comerciais vão cair unilateralmente, seja por iniciativa isolada dos países ou dos agrupamento que as mantêm", comentou Botafogo, em sua palestra. "Temos que andar muito depressa para podermos ter uma visão mais clara sobre quais são as vocações que nos permitirão, no setor de manufaturas e no agrobusiness, agredir o mercado externo, e onde é que nos custará menos pagar o preço da abertura", defendeu Botafogo, alegando que o País tem de se definir sobre as prioridades dos setores no comércio internacional.
Ele argumentou que a projeção de aumento das exportações para 2002 foi feita com base numa consulta a 59 setores, que representam 88% das vendas internacionais do País. "A previsão continua válida, mas certamente não será uma curva contínua", comentou, explicando que haverá, neste período, saltos no total exportado em alguns períodos.
"Não é fora de propósito e muito menos impossível", garantiu. "Mas temos que continuar persistindo na coordenação dos esforços do setor privado e do governo no programa especial de exportação."
Mercosul - Um dos principais negociadores comerciais do Brasil no Mercosul, Botafogo não quis comentar as recentes decisões do governo argentino de pedir autorização da Organização Mundial do Comércio (OMC) para impor salvaguardas a produtos têxteis brasileiros. A proteção ao setor de calçados seria o próximo alvo da Argentina.
O secretário da Camex reconheceu que as imposições do principal parceiro do Brasil no Mercosul tem causado muitas preocupações, mas preferiu deixar o assunto restrito ao primeiro escalão do governo. "O ministro Clóvis Carvalho fará um pronunciamento sobre isso nos próximos dias", desconversou.


