Curitiba - Os pacientes que estiverem com o estado de sa© úde mais grave terão prioridade na fila para o transplante de fígado. A mudança de critério para o transplante do órgão, que desde 1998 era feito pela ordem de quem chagava antes na fila, foi decidida pela Câmara Técnica do Fígado do Ministério da Saúde no último dia 17. O novo critério deve entrar em vigor em cerca de dois meses.
O Ministério da Saúde argumenta que 61% dos pacientes que estão na fila do transplante no Brasil não precisam realmente de um novo fígado. A medida traz alívio para quem está longe de conseguir um fígado, porém perto da morte. Por outro lado, as cirurgias terão menos chances de ser bem sucedidas, já que os pacientes estarão mais debilitados.
De acordo com o Ministério da Saúde, o critério para determinar o estado de gravidade do paciente será um sistema adotado nos Estados Unidos chamado Meld/Peld. Esse sistema tem uma escala que vai de 6 a 40 e quanto mais alto o número, maior a gravidade.
O ministério informou que dos 6,2 mil pacientes que estão na fila para o transplante de fígado no Brasil, 61% estão no nível 15 ou abaixo e neste caso o transplante deixa de ser recomendado. ''Nestes casos, a cirurgia seria mais perigosa do que a própria doença'', informou o ministério por meio de nota.
O argumento da Câmara é, portanto, que quem realmente precisa, pouco mais de 2,4 pacientes, vai receber o órgão. Para manter o critério, todos as pessoas que estão na fila passarão por exames periódicos para ver se a doença se agravou.
No Paraná, 442 pessoas esperam atualmente na fila por um fígado. E o número de transplantes do órgão nos últimos três anos (2002 a 2004) vem se mantendo estável, na média de 90 por ano. Em janeiro e fevereiro de 2005 já foram realizados 12 transplantes do órgão no Estado.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, a espera média é de 15 meses, enquanto a média nacional é de 51 meses. ''A solução seria mesmo aumentar o número de doações. Porque apesar de atender as pessoas com estado mais graves, as cirurgias ficarão mais complexas, com uma chance de sobrevida menor'', afirmou o médico-chefe do setor de fígado e pâncreas do Hospital das Clínicas (HC) de Curitiba, Júlio Coelho. A média de sucesso no transplante de fígado, segundo Coelho, é de 80%. Mas nos casos mais graves pode cair para 50%.
A medida foi tomada só para o fígado, explicou Coelho, porque a demanda de corações e pulmões é menor, porque é possível manter o rim por meio de hemodiálise e porque o transplante de córnea resolve a cegueira, que não é mortal.
''A mudança é controversa. O risco aparentemente é maior. Trabalhar com pacientes mais graves de fato pode fazer com que a sobrevida seja menor e haja perda de mais órgãos. Mas ainda assim a questão da gravidade pode ser resolutiva'', afirmou o diretor do sistema de saúde da Secretaria de Estado de Saúde, o médico Gilberto Martin, se mostrando favorável à decisão do ministério.

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