Pais fazem alerta sobre crianças desaparecidas
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segunda-feira, 16 de junho de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mães e parentes de crianças desaparecidas no Paraná fizeram uma passeata, ontem de manhã, pelo centro de Curitiba para alertar a população sobre os cuidados necessários para evitar novos casos de sumiços. A manifestação faz parte da Semana de Prevenção contra o Desaparecimento de Crianças, que acontece pelo terceiro ano seguido em Curitiba. Até amanhã, os manifestantes estarão distribuindo panfletos à população com dicas sobre como aumentar a segurança sobre as crianças.
A data lembra o desaparecimento de Guilherme Caramês Tiburtius. Hoje completa 12 anos que Guilherme, então com oito anos, desapareceu, quando andava de bicicleta em frente à sua casa, em Curitiba. O garoto acabou tornando-se símbolo do movimento, em função do grande empenho de sua mãe, a deputada estadual Arlete Caramês (PPS), que criou, em 1991 o Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida.
Um dos resultados desse trabalho foi a criação, em 1995, do Serviço de Investigação de Criança Desaparecida (Sicride) da Polícia Civil, órgão que registra e investiga o desaparecimento de crianças até 12 anos. ''Na década de 80 tivemos um grande número de crianças desaparecidas, de cerca de 50 por mês contra uns quatro a cinco casos por mês atualmente'', lembra o delegado Harry Herbert, que esteve sete anos à frente do Sicride. Segundo a atual delegada-chefe, Márcia Tavares dos Santos, o órgão resolve, hoje, 97% dos desaparecimentos registrados. Ela ressalta que 50% dos casos são de crianças que fogem de casa.
Além de 12 casos anteriores a 1992, conhecidos pela maioria das pessoas através dos milhares de cartazes espalhados por todo País, e que continuam pendentes, o Sicride tem mais três casos recentes de desaparecimento não resolvidos. Kelly Cristina Silva, desaparecida em 9 de dezembro de 1997, aos seis anos de idade, na Vila Autódromo em Curitiba; Leonardo de Mello Silva, sequestrado aos 3 anos e 8 meses em 14 de outubro de 2001 em Umuarama; e Ana Paula Padilha, de 7 anos que desapareceu dia 13 de janeiro deste ano, na localidade de Rio da Várzea, na cidade da Lapa (71 km a oeste de Curitiba).
O Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida tem registrado 28 casos de desaparecimentos no Paraná. Os números divergem do Sicride, segundo Arlete, porque o movimento registra também os desaparecimentos de adolescentes, com idade acima de 12 anos. Dos 28, 12 referem-se aos casos anteriores a 1992, e outros 16 são mais recentes. Entre estes, há casos de crianças desaparecidas com menos de 12 anos, mas que não constam dos arquivos do Sicride.
É o caso de Osnei Ranea, que desapareceu em 9 de maio de 1997, aos 11 anos de idade, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). ''Era domingo, ele tinha ido dormir na casa do meu irmão, e resolveu ir até os bombeiros, que era ali perto. Depois disso ele nunca mais voltou'', conta a sua mãe, Maria de Lourdes da Costa Borges, lembrando que dia 12 de agosto Osnei faz 18 anos de idade. ''Eu só sei que estou convicta de que ele está vivo'', disse.


