País faz esforço contra o câncer uterino
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terça-feira, 18 de agosto de 1998
Carmem Murara 
O ministro da Saúde, José Serra, garantiu ontem que as mulheres vítimas do câncer de colo de útero terão total assistência médica oferecida por Estados e municípios. Ele esteve em Curitiba para fazer o lançamento oficial da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Colo de Útero. A meta é conscientizar a população feminina e convencer as mulheres de 35 a 49 anos a fazer o exame preventivo. A estimativa do Ministério da Saúde é que até o final do ano sejam registrados 21 mil novos casos da doença no País, sendo que 6,8 mil mulheres podem morrer por falta de tratamento.
O Estado tem de ter a estrutura para cuidar das mulheres doentes. Se não tem, de ter. É uma obrigação, afirmou o ministro. Sem citar cifras, ele assegurou que o ministério vai destinar verbas para os municípios e Estados cuidarem das pacientes com câncer de colo de útero.
A primeira etapa da campanha será de conscientização da necessidade de se fazer o teste papanicolau, que revela a existência da doença. Para esta fase, o Ministério vai gastar R$ 40 milhões. Se diagnosticado no início, o câncer de colo de útero raramente provoca a morte nas mulheres, mas se não houver tratamento no tempo correto, pode ser fatal.
Dados do Ministério da Saúde mostram que há três mortes para cada 100 mil mulheres no País. Para o Brasil é muito constrangedor o número de mulheres que morrem por causa do câncer de colo de utero. É vergonhoso, declarou o ministro. Nos países europeus e nos Estados Unidos, a doença praticamente não mata as mulheres, pois há o trabalho de prevenção.
Uma pesquisa feita nos postos de saúde de Curitiba revelou que 4,3% das 40 mil pacientes que se submeteram a exames, nos últimos 12 meses, apresentaram algum tipo de problema e 334 foram submetidas a cirurgia. Curitiba, Brasília, Recife, Belém e Rio de Janeiro foram as capitais onde o programa do Ministério foi testado com um ano de antecedência.
O coordenador executivo do programa, Nelson Cardoso de Almeida, disse que qualquer mulher será atendida nos postos de saúde, mas a preferência é fazer os testes em quem nunca fez o papanicolau. Quem já fez o exame deve ceder o lugar para quem nunca fez, afirmou Almeida. Ele disse que o ideal é se submeter ao teste uma vez por ano, durante três anos consecutivos. Após esse período, o exame pode ser feito a cada três anos.
A meta do Ministério é garantir o exame para 4 milhões de mulheres até o dia 19 de setembro, o que representa um número oito vezes maior do que a média mensal de 500 mil feita no País. Todos os postos de saúde do País, cerca de 14,4 mil, estarão atendendo as mulheres. Na região Norte a Marinha também participará da campanha, cedendo navios que levarão os técnicos da Saúde até as populações ribeirinhas.


