País fabrica 83% das armas apreendidas
Agência Estado
Do Rio
Uma pesquisa do Instituto Superior de Estudos da Religião (Iser) mostra que 83,12% das 44.437 armas de fogo apreendidas no Estado do Rio de 1994 a março de 1999 foram fabricadas no Brasil. O levantamento, divulgado ontem na conferência Controle do Comércio Internacional de Armas Leves, derruba um mito da segurança pública: o de que o armamento dos bandidos brasileiros seria, em sua maioria, estrangeiro. O coordenador do Movimento Viva Rio, Rubem César Fernandes, afirmou que a maioria das armas em poder da bandidagem é exportada para o Paraguai e volta ilegalmente ao Brasil.
Trocando em miúdos: o problema é nosso, interno, disse Fernandes. Das armas apreendidas, 20.276 (45,6% do total) foram fabricadas pela Taurus, e 11.867 (26,7%), pela Rossi. As duas empresas ficam no Rio Grande do Sul. Setenta e dois por cento das armas apreendidas são controladas pelo mesmo fabricante, disse ele, afirmando que Taurus e Rossi são a mesma empresa. Fernandes defende que os registros de armas sejam de acesso público. Ele quer que os dados sobre armamento dos últimos 20 anos sejam repassados à Polícia Federal e que os outros países informem para quem venderam as armas apreendidas.
O estudo do Iser foi feito a partir dos registros do Departamento de Fiscalização de Armas e Explosivos da Polícia Civil fluminense. Ao todo, cerca de 64 mil armas foram catalogadas, mas a pesquisa se restringiu às armas cujos registros estavam completos. O levantamento constatou que, após o Brasil, os maiores fabricantes de armas apreendidas no Rio são os EUA (2.987, equivalentes a 6,72% do total e a 39,82% do armamento estrangeiro). Depois, vem a Argentina (1.116, o que equivale a 2,51% do total e 14,88% das estrangeiras).
Com base em números do SUS, o Iser constatou que de 1983 a 1998 cresceu de 35% para 53% a participação das armas de fogo nas causas das mortes de jovens homens, com idades entre 15 e 19 anos, no município do Rio de Janeiro. Foram 189 mortos nessa faixa em 1983, contra 458 em 1998. Em 1997, os projéteis de armas de fogo causaram 27% das mortes de homens de 15 a 29 anos no Brasil.
No encontro, promovido pelo Viva Rio e pela campanha Rio, Abaixe Essa Arma, o ministro da Justiça, José Carlos Dias, disse que o governo brasileiro, depois que for aprovado o projeto da lei de controle de armas proposto pelo Executivo, pretende discutir com os demais países do Mercosul formas de controlar a circulação de armas. O ministro não descartou a possibilidade de serem feitas gestões junto ao Paraguai para combater a reentrada no Brasil de armas feitas por fabricantes brasileiras e exportadas.
É claro que, participando do Mercosul, certamente deverão ser tomadas medidas no sentido de evitar a internação clandestina de armas, afirmou. O ministro admitiu, porém, que não sabia ainda dizer o que será feito, na prática, nessa direção. O que eu digo é que já temos, isso sim, um projeto, é uma prioridade do governo, quanto à limitação a casos excepcionais para o uso de armas de fogo no território brasileiro.
O secretário da Segurança Pública do Rio, Josias Quintal, disse que rastreamentos feitos a partir das armas apreendidas pelas polícias fluminenses indicaram que o armamento dos bandidos que agem no Estado, em sua maioria, sai do Paraguai.
A consulesa-geral paraguaia, Alejandrina Vallejos, disse que seu país não vê problema em discutir o controle de armamentos e admitiu que o Paraguai não tem como controlar as saídas de armas de seu território para o Brasil, pois são clandestinas.Levantamento divulgado em conferência no Rio derruba mito de que armamento de bandidos seria proveniente do exterior
Arquivo FolhaControleMovimento Viva Rio afirma que as maiores fabricantes de armas do Brasil são na verdade uma única empresa





