País está despreparado para lidar com idosos
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segunda-feira, 25 de setembro de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Em menos de 20 anos, o Brasil terá 32 milhões de idosos, quase o dobro da população atual com 60 anos ou mais. E há um despreparo, em nível nacional, para dar contar dessa demanda, que corresponderá a 15% da população brasileira. A conclusão é da presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Idoso (Cedi), Maria Isabel Vargas da Cunha, ao se referir à deficiência de políticas públicas voltadas aos idosos. O Brasil está entre os 10 países que concentram 62% dos idosos do mundo.
Maria Isabel pondera que, com o aumento da expectativa de vida, é preciso estimular a promoção à saúde para que os idosos vivam com qualidade. Esse é um dos desafios do conselho: cobrar dos governos municipais e estadual que se preparem para enfrentar o processo de envelhecimento da população. Para ela, é fundamental, também, estimular a implantação de conselhos nos municípios para maior controle social e definição de políticas que atendam as diferentes realidades.
Segundo dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/2004), o Paraná ocupa o segundo lugar em número de idosos entre os estados da região Sul -979.269, o que representa 9,6% da população total. A Região Metropolitana de Curitiba, com mais de 266 mil idosos, concentra quase um terço (27%) da população acima de 60 anos do Paraná. No Rio Grande do Sul, são 1.285.882 idosos, o que corresponde a 12% do total de habitantes.
Outro levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde, destacou Maria Isabel, aponta que o município com maior número de idosos, em relação à população é Assis Chateaubriand (72 km ao norte de Cascavel), que tem 3.248 habitantes com 60 anos ou mais ou o equivalente 16% da população total (20.295). O menor índice é o de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba: 4,2%. São 3.676 idosos em um universo de 86.608 habitantes.
Londrina está próxima da média estadual (9,35%), com 45.633 idosos entre a população total de 488.287 pessoas. Em Curitiba, a população idosa (147.979 pessoas) corresponde a 8,42% do total de moradores (1.757.903 habitantes).
De acordo com o vice-presidente do Cedi, Flávio Binder, apenas cerca de 50 dos 399 municípios paranaenses têm conselhos municipais constituídos. Ontem, abrindo a Semana do Idoso, o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), oficializou a criação do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa. Outras 20 ou 30 cidades, segundo Binder, devem concluir a implantação nos próximos dois anos.
É consenso entre representantes de órgãos públicos e não-governamentais que o Estatuto do Idoso representou um importante avanço na definição de políticas públicas e deu maior visibilidade a essa população. Mas, na prática, há, ainda, muito a ser feito, especialmente, na área de saúde. Segundo Binder, entre as cerca de 300 reclamações mensais, que chegam ao Cosedi, por meio do Disque Idoso, as mais frequentes são de deficiências no atendimento médico-hospitalar e falta de medicamentos de uso contínuo nas unidades de saúde. Os maus-tratos por membros da própria família, também, estão na lista de queixas.
Pura Domingues Bandeira, representante das Organizações Não-Governamentais (ONG) no Cedi, aponta outras questões que, apesar de previstas no Estatuto do Idoso, não são cumpridas. Ela citou como exemplos, o acesso a financiamentos para a casa própria; o transporte gratuito em ônibus interestaduais; e a prioridade no acesso à Justiça.


