São Paulo, 21 (AE) - Não bastassem o susto e o desespero
os pais e parentes dos recém-nascidos vítimas do incêndio tiveram de suportar o descaso das autoridades, que não informaram o ocorrido. A maioria soube do acidente pela TV ou pelas rádios. Nos corredores e do lado de fora do hospital, eles tentavam ver seus filhos. Queriam ter certeza de que tudo estava bem.
Michele Oliveira Leite, de 19 anos, foi informada às 8h30, quando chegou à Maternidade Escola Vila Nova Cachoeirinha para amamentar. "Fiquei em pânico, corri de um lado para o outro, achei que estavam mentindo para mim", relatou. "Não me acalmei enquanto eu não a vi." O pai, o segurança Daniel Francisco dos Santos, de 24 anos, foi avisado pela mulher no trabalho, por volta das 10 horas. "Larguei minha arma no chão e saí correndo; ela é minha primeira filha."
Os dois queixam-se de negligência e prometem transferir Tiffany, de apenas 12 dias, para um hospital particular. "Tenho dois telefones para contato; como podem fazer uma maldade dessas", reclamou Santos. "Isso sem dizer que minha filhinha estava lá porque os médicos arrebentaram minha bolsa antes da hora", acusou Michele.
"Liguei diversas vezes para cá e ninguém me atendia", disse Oscar Antônio Isidoro, pai de Oscar, o último bebê a ser retirado do berçário. "Vim aqui e não me deixaram entrar; isso é um absurdo." A notícia veio pela televisão. "Tinha acabado de acordar quando assisti às cenas; isso é criminoso."
Não só mães e pais sofreram. No fim da tarde, as avós, do lado de fora do berçário do Hospital Geral Vila Nova Cachoeirinha, para onde os bebês foram removidos, olhavam atentas para os netinhos. "Soube pelo rádio e estou em pânico; não sei o que posso fazer para ajudar a minha filha", lamentou-se Imaculada Ribeiro, de 52 anos, avó de Mariane Cristina.

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