O Brasil precisa investir R$ 44 bilhões nos próximos dez anos para garantir saneamento básico à toda população. A meta foi apresentada ontem pelo secretário Nacional do Desenvolvimento Urbano, Ovídio Di Angelis, durante o 5º Fórum Global Mundial de Água Potável e Saneamento, em Foz do Iguaçu. O evento conta com a participação de 450 especialistas de 130 países de todo o mundo.
Além de falar sobre a qualidade da água usada no consumo mundial, os congressistas também estão discutindo as doenças provocadas pela falta de tratamento dos reservatórios, a poluição dos rios e as futuras e possíveis fontes de abastecimento em todo o planeta. A pauta de ontem definiu as prioridades em seis regiões selecionadas pelo participantes: o sul e sudoeste da Ásia, a África, o Oriente Médio, América Latina, Europa Central e as pequenas ilhas do globo.
Segundo o secretário Internacional do Conselho de Colaboração e Abastecimento de Água e Saneamento (CCAAS), o canadense Gabriel Regallet, são neste locais que a preocupação com o tratamento de esgoto e o saneamento básico está mais concentrada. ‘‘É claro que cada região possui suas peculiaridades. Enquanto no Brasil os problemas estão na área urbana, as deficiências na África são encontradas no meio rural’’, salientou, lembrando que os projetos e idéias serão discutidos hoje para que haja ‘‘troca de experiências entre os interessados’’.
Para o responsável pela área de saneamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), José Augusto Hueb, os índices brasileiros são melhores que de outros países, mas ainda é insuficiente para garantir uma vida saudável à milhões de habitantes. Levantamentos da entidade e do Ministério do Desenvolvimento Urbano mostram que 87% da população consome água potável e 77% tem acesso à rede de esgoto. As médias mundiais são, respectivamente, 82% e 60%. Hueb destacou ainda que relatórios da OMC apontam 2,2 milhões de mortes em todo o mundo por infecções simples que provocam diarréia. ‘‘Boa parte destas doenças poderia ser evitada somente com água tratada.’’
Ovídio Di Angelis, que participou da abertura do fórum no final de semana, esclareceu que os R$ 44 bilhões terão dois destinos: R$ 30 bilhões serão investidos em coleta e tratamento de esgoto e R$ 14 bilhões em recuperação e ampliação do abastecimento de água potável. O evento prossegue até sexta-feira.

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